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Desafios globais envolvem acesso à água, alimento e energia

Entre os principais problemas do mundo que ainda não têm solução está a necessidade de maior acesso à água, alimento e energia. A questão é resultado de fatores como crescimento populacional, urbanização, alteração no padrão alimentar e, é claro, das mudanças climáticas.

O problema tem um forte impacto social e ambiental, principalmente porque as três áreas tendem a entrar em conflito. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a agricultura é o maior consumidor dos recursos de água doce do mundo, e mais de um quarto da energia utilizada globalmente é gasta na produção e no fornecimento de alimentos.

Alimentar uma população global que deverá atingir 9 bilhões de pessoas até 2050 exigirá um aumento de 60% na produção de alimentos. Como consequência, haverá maior consumo de água e energia.

É nesse contexto que se insere a Escola São Paulo de Ciência Avançada no Nexo Água, Alimento e Energia, que ocorre até 26 de outubro na Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Escola também conta com o apoio do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe-Unicamp).

“É um tema que tem relevância social, ambiental e econômica para o país. É um novo modo de pensar a ciência, levando em conta os conflitos e aspectos que envolvem essas três dimensões: água, energia e alimento”, disse José Roberto Guimarães, professor titular da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC-Unicamp) e pesquisador responsável pela ESPCA no Nexo Água, Alimento e Energia.

A Escola, apoiada pela FAPESP por meio da modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), reúne 80 estudantes, sendo 40 de fora do Brasil, e também tem o intuito de atrair talentos para cursos de pós-graduação e centros de pesquisa no Estado de São Paulo.

O evento visa discutir sistemas complexos, compreendendo impactos sociais, econômicos e ambientais envolvidos nas decisões relativas à inovação tecnológica, gestão e ao desenho de políticas públicas.

“Todas essas mudanças pelas quais estamos passando ultimamente precisam ser articuladas em políticas de planejamento. Foi percebido, no entanto, que se houver um tratamento sistêmico entre essas três áreas é possível reduzir conflitos e conseguir ganho em eficiência. Portanto, a ideia dessa Escola é integrar a pesquisa em água, alimento e energia”, disse Paulo Sergio Franco Barbosa, professor do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos, Energéticos e Ambientais da Unicamp e um dos organizadores da ESPCA no Nexo Água, Alimento e Energia.

Essa nova abordagem em lidar e propor soluções integradas para os três temas é uma tendência de pesquisa. Na FAPESP, programas como o BIOTA e de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) representam esforços para oferecer oportunidades integradas em ciência. Outras agências de fomento, como a National Science Foundation (NSF), nos Estados Unidos, também dispõem de programas nesse mesmo sentido.

 

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