POLÍTICA

Ex-líder da Ku Klux Klan elogia Bolsonaro; eurodeputados repudiam 'protofascismo'

Supremacista e racista norte-americano diz que candidato do PSL "soa como nós e se parece com qualquer homem branco nos Estados Unidos". Parlamento Europeu se manifesta contra ameaça no Brasil

A BBC divulgou na última terça-feira (16) um pronunciamento do "historiador" norte-americano David Duke, ex-líder e o “rosto mais conhecido do grupo racista Ku Klux Klan (KKK) nos Estados Unidos”. O extremista elogiou o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro. “Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista", disse. "Ele é totalmente um descendente europeu. Ele se parece com qualquer homem branco nos Estados Unidos, em Portugal, Espanha ou Alemanha e França.”

Segundo a BBC, Bolsonaro fala “sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro". A emissora lembra que o "historiador" disse recentemente que o prêmio Nobel da Paz sul-africano Nelson Mandela é um "terrorista".

A seita racista foi tema do filme Mississippi em Chamas (Mississippi Burning, de 1988), do diretor Alan Parker, com Willem Dafoe e Gene Hackman, que mostra como a organização criminosa se manifesta e ramifica em todos os setores da sociedade americana, com atuação destacada dentro de aparatos e corporações policiais.

A Ku Klux Klan iniciou sua militância de terror em 1865 nos Estados Unidos e sua atuação foi mais intensa no sul e sudeste do país. Suas práticas não eram consideradas atividades políticas, mas terroristas. Além de ferozmente contra os negros, aos quais torturavam e matavam em rituais macabros, eles também eram contra a imigração, anticatólicos e antissemitas.

A entidade teve seu auge até antes da primeira guerra. A partir de então, viveu momentos de ascensão e declínio, com atividades esporádicas motivadas por fatos históricos, tais como o anticomunismo que professavam nos anos 60.

"Recuso qualquer tipo de apoio vindo de grupos supremacistas. Sugiro que, por coerência, apoiem o candidato da esquerda, que adora segregar a sociedade", disse Bolsonaro em seu Facebook.

De acordo com matéria da rede de comunicação alemã Deutsche Welle (DW), que fornece conteúdo on-line em 30 idimoas, começou a circular no Parlamento Europeu nesta terça (16) um manifesto contra a eleição de Bolsonaro. Segundo a publicação, representantes de cinco das sete bancadas do Parlamento se reuniram para defender uma posição contrária contra o candidato.

"Não estamos defendendo uma intervenção ilegítima no Brasil. Estamos apenas manifestando nossa posição crítica em relação à possibilidade de que vença uma figura que representa posições protofascistas", afirmou o eurodeputado português Francisco Assis, do bloco socialista.

Ele deu a declaração durante o evento de lançamento do manifesto "Democracia brasileira em risco", em Bruxelas. Segundo o parlamentar europeu, Bolsonaro é “uma figura patética que será a vergonha do Brasil”.

"Uma vitória de Bolsonaro significaria um retrocesso civilizatório para o país e para o mundo", acrescentou.

Para embasar sua opinião, Assis citou posicionamentos do candidato do PSL como a apologia da violência, a defesa da ditadura militar, da tortura, a misoginia, o racismo e a xenofobia.

O HuffPost (The Huffington Post), “agregador de blogs” norte-americano, no domingo (14), elencou uma série de “ideias” de Bolsonaro que “fizeram soar o alarme entre os eurodeputados”. Entre as ideias, extinguir o Ministério do Meio Ambiente, acabar com o "ativismo ambiental xiita" no país, com a "indústria de demarcação de terras indígenas" e explorar economicamente a Amazônia. A retirada do Brasil do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas também foi citada pela publicação.

Por sua vez, a revista britânica The Economist voltou a dizer, em artigo na sexta-feira (12), que o candidato do PSL é uma ameaça. "Em vez de uma volta a 1964, Bolsonaro representa uma ameaça mais insidiosa. Ele expressa visões extremas”, disse a publicação.

No início do mês, o jornal britânico The Guardian afirmou que Bolsonaro coloca a democracia em risco.

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