POLÍTICA

Roger Waters, ex-Pink Floyd, protesta contra Bolsonaro durante show em São Paulo

Músico faz alerta para ameaça fascista no mundo, exibe "Ele Não" no telão e provoca reação "ensurdecedora" da plateia.

Em seu show na noite desta terça-feira (9) em São Paulo, o ex-integrante da banda inglesa de rock Pink Floyd, Roger Waters, exibiu no telão sobre o palco mensagens de alerta à onda fascista que ocorre em vários países do mundo, incluindo o Brasil e o candidato a presidente Jair Bolsonaro. Waters disse: "Vocês têm uma eleição muito importante daqui a três semanas. Sei que isso não é da minha conta, mas devemos sempre combater o fascismo. Não dá para ser conduzido por alguém que acredita que uma ditadura militar pode ser uma coisa boa".

Em reportagem, o jornal Folha de S.Paulo afirma que, durante a execução da música "Eclipse", já perto do encerramento do show, as palavras "#ELE NÃO" foram exibidas no telão. "A reação foi ensurdecedora. As quase 40 mil pessoas no estádio produziram uma mistura de poucos aplausos e muitas vaias". Relatos nas redes sociais afirmam que as manifestações foram igualmente divididas entre favoráveis e contrárias à manifestação de Waters.

Segundo a matéria, "em determinado momento, o texto no telão pediu resistência contra os neofascistas, exibindo uma lista de países, destacando um político de cada lugar. Entre outros, ao lado do presidente americano Donald Trump, da líder da extrema-direita francesa, Marie Le Pen. Os nomes do Brasil, ao lado do de Jair Bolsonaro encerravam a lista.

A reação dos fãs contrários à manifestação de Waters surpreende, uma vez que as posições políticas do músico inglês sempre foram muito explícitas nas letras que compôs, sobretudo nos álbuns Animals e The Wall. Esse último, - que é composto de um projeto musical e um filme homônimo ao álbum – retrata os efeitos nocivos de uma educação reificadora de indivíduos em uma sociedade opressiva, onde os jovens são impedidos de pensar e demonstrar sentimentos, o que os torna adultos frustrados.

As cenas do filme escancaram a oposição dos integrantes do Floyd contra qualquer tipo de totalitarismo: mostram escolas onde crianças rolam apáticas em esteiras de fábricas, como em uma linha de produção, até chegar a gigantescos moedores de carne. A metáfora cruel evidencia os projetos educativos de um governo opressor onde não há espaço para debate livre de ideias e impossibilidade de manifestação contrária ao governo pela população. O alvo de Waters ao conceber The Wall era o governo cruel e conservador de Margaret Thatcher, no entanto, serve como alerta – como fez questão de reiterar no show – contra as ameaças fascistas ao redor do mundo.

 

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*Victor Cedro, do Painel Acadêmico, com informações da Rede Brasil Atual.