CURSOS

Curso discute a história da crítica gastronômica

Em dois encontros, serão discutidas as relações entre a história da gastronomia e o jornalismo

A crítica gastronômica, assim como o jornalismo, tem uma história interessante que começou nas primeiras décadas do século XIX e se acelerou conforme a revolução industrial tomava o mundo e os jornais se multiplicavam.

No dia 11 de outubro se encerram as inscrições do curso “Jornalismo e gastronomia: história e crítica” ministrado pela Professora Doutora Joana Monteleone, autora de Sabores urbanos: alimentação, sociabilidade e consumo (editora Alameda) e Toda comida tem uma história (ed. Oficina Raquel). No curso, serão abordados aspectos da história da crítica gastronômica e do jornalismo cultural em dois sábados intensos, dias 20 e 27 de outubro, na Faculdade Cásper Libero

“Falar sobre esse aspecto da história da alimentação é um desafio e um prazer. Adoro estudar o século XIX e as fontes impressas. A história da crítica gastronômica ainda está para ser feita. É um curso muito instigante para quem quer começar nessa área.”, diz Joana Monteleone sobre as aulas.

“Foi nas primeiras décadas do século XIX que o advogado e filósofo Jean A. Brilliat-Savarin definiu no seu livro A fisiologia do gosto, a palavra gastronomia como a ciência que estuda ‘tudo o que se refere ao homem na medida em que ele se alimenta’”, afirma a professora. Savarin ainda continua: “A gastronomia atinge esse objetivo dirigindo, mediante princípios seguros, todos os que pesquisam, fornecem ou preparam as coisas que podem se converter em alimentos”, envolvendo, portanto, os produtores de alimentos, os cozinheiros e “seja qual for o titulo ou a qualificação sob a qual se disfarçam suas tarefas de preparar alimentos”.

Savarin vai falar então dos cinco sentidos – tato, olfato, visão, audição e gosto – envolvidos na ciência da gastronomia: “o gosto é ainda aquele dos nossos sentidos, que, levado tudo em conta, nos proporciona mais satisfações” e ainda dizer que a gastronomia é, afinal, se relaciona com todas as ciências humanas, da física à química, passando pela biologia, pelo comércio e pela economia política.

Ao elevar a gastronomia a uma ciência e a uma espécie de arte, o filósofo francês coloca a gastronomia no mesmo patamar da música e do teatro, ou seja, a gastronomia passa a ser passível de ser criticada por um determinado tipo de pessoa muito especial, o crítico gastronômico. Assim como a crítica teatral ou musical, a ciência da crítica gastronômica deve levar os leitores a entender o que é bom ou ruim em termos culinários – é pelo paladar apurado do crítico que o gosto do resto dos mortais seria moldado. 

A crítica gastronômica tem uma história que diz muito sobre o que ela representa hoje na nossa sociedade. Como pensar o papel dos restaurantes? E o dos críticos gastronômicos? É possível fazer crítica gastronômica na era do instagram com suas infindáveis fotos de comidas? Essas e outras questões estarão presentes no curso da Cásper Líbero.

Inscrições: até 11 de outubro no site
Quando: 20 e 27 de outubro
Onde: Faculdade Fundação Cásper Líbero (av. Paulista 900)
Tel: 3170-5474 com Marcelo Henrique Souza Rodrigues (Gerente de Eventos e Comunicação Corporativa mhsrodrigues@fcl.com.br )

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Imagem: Édouard Manet, A Bar at the Folies-Bergère (1882):  óleo sobre tela, 96 x 130 cm, Courtauld Institute of Art, London, UK.