SÃO PAULO

Lisete Arelaro: “Apesar de velhinha, eu sou o novo nessa eleição”

A professora do departamento de Educação da USP e pré-candidata ao Governo do Estado de São Paulo conversou com o Painel Acadêmico sobre o projeto Escola Sem Partido, sua candidatura e questões de gênero

Há nove candidatos ao governo do estado de São Paulo e, dentre eles, apenas uma mulher. A candidata lançada pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), Lisete Arelaro, é professora titular da faculdade de Educação da USP, foi secretária de educação do município de Diadema por duas ocasiões e participou da equipe de Luiza Erundina durante seu mandato na prefeitura de São Paulo, juntamente com o então secretário de educação Paulo Freire.

Para Lisete, é "sempre estimulante" disputar com outros candidatos homens. A educadora afirma que "apesar de velhinha" ainda representa uma alternativa para quem busca fugir dos velhos políticos nesta eleição.


"Teria grande prazer em ter como adversária outra mulher interessante", declarou. 

Lisete conversou em entrevista exclusiva com o Painel Acadêmico sobre sua candidatura, que tem como principais bandeiras temas relacionados à educação, como o aumento dos salários dos professores da rede estadual de ensino público e melhora na qualidade de condições de trabalho dos educadores e funcionários das escolas.

A candidata se coloca contra o movimento ‘Escola Sem Partido’, que inspira Projetos de Lei que pretendem delimitar a atuação e expressão de professores em sala de aula. "Temos chamado [o projeto] de Escola Com Mordaça, inclusive por que ele estimula, no projeto de lei, a criação de grupo de alunos que denunciem os professores". 

Confira a visão da candidata sobre o programa no vídeo abaixo:

Além do cerceamento das liberdades dos docentes, os novos projetos na área da educação, como a nova Base Nacional Comum Curricular, pretendem unicar e padronizar o currículo das escolas. Segundo Lisete, a adoção de um currículo único leva a compra de materias didáticos específicos. Por isso, ela se coloca em favor da autonomia das escolas para que possam desenvolver projetos pedagógicos adaptados as suas respectivas necessidades e demandas, além de aporiar o funcionamento pleno dos conselhos escolares. 

Lisete explica que os modelos de ensino propostos por Freire, e até mesmo por pensadores anteriores a ele, questionam este sistema de "enquadramento do professor", principalmente, por defender a autonomia relativa das escolas.

Por fim, a candidata explicou que a adoção que um currículo único na base da educação leva também ao uso de livros didáticos específicos. Segundo a candidata, o sistema de unificação dos currículos e materiais nos Estados Unidos levou ao monopólio controlado pela empresa Pearson. "Só quero lembrar que a Person está tentando fazer a mesma coisa aqui no Brasil", ela diz.

 

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