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Livro "Entre a nação e a revolução" discute o nacionalismo popular no Brasil e Peru

Autor estabelece comparação entre os dois países para discutir marxismo comunista e esquerdas nacionalistas

A história da esquerda da América Latina foi basicamente a história da difícil relação entre marxistas e uma outra corrente, nacionalista-popular. Em Dois encontros entre o marxismo e a América Latina, André Kaysel analisou o problema a partir de dois marxistas originais, José Carlos Mariátegui e Caio Prado Jr. Agora, em Entre a nação e a revolução: marxismo e nacionalismo no Peru e no Brasil, amplia e torna mais complexa a questão, discutindo como se deu o tenso convívio nos dois países. Como bem mostra Kaysel, muitos das dificuldades da esquerda latino-americana derivam da dificuldade de marxistas entenderem a originalidade da experiência nacionalista-popular. Problema que, infelizmente, continua atual.

Entre a nação e a revolução trata de uma das mais clássicas questões da História e Ciências Sociais latino-americanas: a entrada das camadas populares urbanas e rurais no cenário político do continente. Para enfrentar processo tão complexo e com demarcação temporal tão variada, o autor estabeleceu uma precisa estratégia teórico-metodológica. Partiu da constatação da falta de enraizamento do marxismo comunista na América Latina, sobretudo face à interpelação de esquerdas nacionalistas, sob formas discursivas variadas. Por isso, decidiu analisar as relações de aproximação e de afastamento entre esses dois discursos que, se concorreram entre si, também realizaram alianças, ainda que tensas e ambíguas. Algo que só poderia ser feito, a partir de estudos de caso, em perspectiva comparada, razão pela são examinados os exemplos do Peru, nos anos 1920/30 e do Brasil das décadas de 1950/60.

O autor enfrenta o desafio de estabelecer o que considera como vertente discursiva do marxismo comunista e também dessas esquerdas nacionalistas. Nesse caso, o autor começa pela própria questão de como chamá-las, rejeitando designações correntes e optando pelo “nome comum”, nacionalismo popular. Essa é uma das mais interessantes contribuições do livro, já que não se precisaria fazer tal escolha. A construção de generalizações entre experiências nacionais não exige a cunhagem de um termo comum, pois ele não obscurece suas singularidades. Do mesmo modo, a utilização de categorias “nativas” não apaga a existência entre seus pontos comuns. Assim, é com o poder descritivo do nacionalismo popular, que André faz um exame cuidadoso do que ocorreu no Peru e no Brasil, nessas duas conjunturas críticas, em que as “origens ”e trajetórias dessas duas vertentes políticas levam a achados instigantes.

Sobre o autor: André Kaysel Velasco e Cruz é bacharel em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) (2008), mestre (2010) e doutor (2014) em Ciência Política pela mesma instituição. Lecionou no curso de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA) (2013-2017) e atualmente é professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atua nos campos de estudo do pensamento político brasileiro e latino-americano, com especial interesse por temas como marxismo, nacionalismo e populismo. É autor do livro Dois Encontros Entre O Marxismo e A América Latina (Hucitec, 2012) e co-organizador da coletânea Direita Volver! o retorno da direita e o ciclo político brasileiro (Fundação Perseu Abramo, 2015).

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