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A democracia inacabada

Historiador e cientista político discute os problemas da democracia

As últimas décadas foram marcadas pelo avanço da globalização econômica, aceleração da construção plurinacional, crescimento do papel do direito, fortalecimento das instâncias de regulação não-eleitas  mas também, mais recentemente, por uma reação nacionalista, de cunho populista xenófobo, acompanhado pela tentação autoritária.

Semelhantes fenômenos revelam a complexidade de expressão da vontade geral, invocado à direita e à esquerda para legitimar seus projetos políticos. Embora a soberania popular seja reconhecidamente o único princípio legítimo organizador da ordem política moderna, o imperativo que traduziria o seu sentido tem sido expresso de modo tão apaixonado quanto impreciso.

Talvez o ponto crucial da narrativa de Rosanvallon em A democracia inacabada seja precisamente este: a enorme dificuldade que temos em aceitar esse caráter de irresolução essencial da soberania do povo e suportar a tensão produtiva que a democracia carrega dentro de si.

 Sobre o autor: Pierre Rosanvallon nasceu em 1948 na cidade de Blois, na França. Mundialmente conhecido como historiador e cientista político, é titular da cátedra de História Moderna e Contemporânea do Político do Collège de France desde 2001. Seus principais temas de estudo são a democracia, a desigualdade e a representação. É autor de livros de grande repercussão no campo historiográfico, como O Momento Guizot, A monarquia impossível e A Sagração do Cidadão; e também no campo da ciência política, como A crise do Estado Providência, A legitimidade democrática e A sociedade dos iguais.

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