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Ricardo Lísias não se esquiva de questões políticas urgentes e em seu novo livro investe contra Sérgio Moro

A obra 'Sem Título' será lançada nesta quarta-feira (03/10)

Nesta quarta-feira (3/10), às 19h na Pequena Livraria Alamameda, a editora Oficina Raquel lança o livro Sem Título – uma performance contra Sérgio Moro, do escritor paulista Ricardo Lísias.

Em um longo ensaio, Lísias, passando por discussões sobre a arte contemposrânea, analisa o desenvolvimento da Operação Lava Jato, discutindo sobretudo as liminares concedidas pelo desembargador Rogerio Favreto e depois derrubadas pelo TRF-4.

Lísias também analisa diversos acontecimentos recentes da sociedade brasileira, procurando não apenas compreender suas razões, mas também contextualizá-los, propondo formas de combater o retrocesso a que estamos assistindo, tanto na política quanto na arte.

Chamado por muitos de “polêmico”, o autor de Divórcio e Céu dos Suicidas causa forte comoção - e também indignação - com suas obras. Divórcio é uma autoficção que narra o processo separação da personagem Ricardo Lísias ao mesmo tempo que tece duras críticas ao jornalismo marrom do Brasil.  Inquérito policial: família Tobias também é uma autoficção que que conta a história do assassinato do próprio Ricardo Lísias. Já Diário da Cadeia é escrito em forma de pseudônimo e tem como como foco críticas a Eduardo Cunha.

O que essas três narrativas têm em comum? Todas renderam a Lísias processos judicias. O autor é dono de uma prosa contundente e destemida e, apesar das forças contrárias que tentaram barrar os livros, todos eles foram publicados com êxito de crítica e seus enredos nos fazem refletir, através de uma ficção que borra as fronteiras entre real e ficcional, sobre as mazelas socias que vivemos cotidianamente.

Em Sem Título, Lísias retoma a postura de ataque à cúpula do poder brasileiro, como fez em  Diário Da Cadeia, porém, seu alvo agora é Sérgio Moro.

Entrevistamos o autor para que ele nos desse uma prévia sobre Sem Título:

Painel Acadêmico: Você pode nos contar um pouco mais sobre o conteúdo do livro? Trata-se de uma performance, um ensaio ou ambos?

Ricardo Lísias: O livro parte do princípio, retirado de afirmações de inúmeros juristas, de que o Poder Judiciário brasileiro está nesse momento à deriva. Nesse sentido, o conjunto de liminares concedidas pelo desembargador Rogerio Favreto a favor da libertação do ex-presidente Lula é analisado a partir da arte contemporânea. Tratou-se de uma performance que expôs essa situação de deriva. O livro analisa as conseqüências e faz propostas para que essa situação seja contornada e o Poder Judiciário consiga voltar a uma situação de normalidade. Analiso também alguns casos de intervenção artística que me parecem muito eficazes no mundo contemporâneo.

Eu não acho que estou em situação, como autor, de observar o gênero do livro. Ele faz parte do meu trabalho.

Qual a importância de um livro com este teor para atual cenário político brasileiro?

Fiz questão de publicar esse livro antes do primeiro turno das eleições. Se não desse, eu não publicaria mais. Eu gostaria, como sempre procuro, de que ele tivesse um caráter de intervenção. Acho que aos poucos talvez o establishment literário entenda que a ideia de ter justificado e dado força para o chapa branquismo não foi a mais razoável e muito menos artisticamente eficaz.

Ainda que não se trate de ficção, Sem título corrobora com seu projeto literário de uma ficção que intervém no real?

Eu espero que sim. Eu não tenho muita certeza de que realmente importe muito se uma obra é de ficção ou de não ficção, mas sim se há eficácia ou não e sobretudo a que uma obra responde. Eu estou tentando responder a questões que me pareçam importantes.

O evento ocorrerá às 19h, na Pequena Livraria da Alameda, localizada na Rua Treze de Maio, 353 – Bela Vista, São Paulo.

 

 

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