LITERATURA BRASILEIRA

Realismo e realidade na literatura, um modo de ver o Brasil

A autora Tânia Pellegrini falou ao Painel Acadêmico sobre seus estudos, inspirações e recomendações de leitura

No livro ‘Realismo e Realidade na literatura: um modo de ver o Brasil’, a professora Tânia Pellegrini explora  o campo entre realidade e realismo de teóricos como Roland Barthes, Raymond Williams, Ian Watt, Gÿorgy Lukács, entre tantos outros, navega pela literatura brasileira do século XIX e faz esse debate ressurgir em diversos momentos do século XX – nos escritores da Geração de Trinta, na literatura produzida durante a ditadura militar, nos projetos novamente realistas dos anos 2000. 

Assim, as violências da escravidão encontram seus ecos na exploração econômica da década de 1930, na opressão explícita da ditadura militar e no cotidiano permanentemente massacrante expresso nas obras do século XXI. Da introdução do método que buscava a verossimilhança em Alencar, passando por Machado e Aluísio, Graciliano Ramos, Jorge Amado e José Lins do Rego, Rubem Fonseca, Renato Tapajós.

O Painel Acadêmico conversou a com Tânia Pellegrini sobre o que a inspirou a estudar o tema do realismo, o papel da literatura na vida do leitor e, ainda, alguns pitacos sobre a influência desse movimento literário na cultura brasileira. 

Confira a entrevista abaixo:

Painel: Por que você escolheu o realismo como tema de estudo?

Tânia Pellegrini: O realismo sempre me fascinou, sobretudo pela busca "desesperada" de procurar reproduzir a realidade, da forma mais fiel possível. Isso é patente ao longo da história da arte e da literatura, com matizes e gradações.  Tal intenção levou-me a perceber que, a partir do século XIX, a consolidação de uma postura e de um método realistas coincidiram com o fantástico desenvolvimento do romance enquanto gênero e, como consequência direta ou indireta, a ampliação do público leitor. Daí a possibilidade de representar cada vez mais a vida quotidiana das camadas mais baixas da população, mais ou menos na esteira dos movimentos sociais mais críticos em cada época.

Painel: Qual o papel da literatura realista na construção de uma percepção do mundo do leitor?

Tânia: Reconhecer-se em cada texto, em cada quadro ou, hoje, em cada filme ou seriado é uma forma poderosa de voltar os olhos para si, enquanto sujeito formado por relações sociais específicas, passível de se construir e reconstruir a cada momento. A literatura realista pode (mas nem sempre é) uma possibilidade de ver o mundo, de se ver nele e de perceber o nível das contradições entre um e outro. Reconhecer a si e ao outro de imediato, no texto ou na tela, pode ser (foi e poderia vir a ser de novo) um instrumento crítico da maior importância. 

Painel: Qual livro realista você acredita que melhor retrata a realidade brasileira? Por quê?

Tânia:  Eu acredito que os grandes autores "clássicos"do realismo utilizaram sua literatura como uma arma radical contra a desfaçatez das relações sociais e, por isso, ainda são "retratos" do Brasil: Aluísio de Azevedo, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Guimarães Rosa. Mais recentes há  Raduan Nassar, Milton Hatoum... para ficar nos que entraram no cânone.

Livro: Realismo e Realidade na literatura: um modo de ver o Brasil’

Número de páginas: 282

Preço: 62,00

ISBN: 9788579395505

Sobre a autora: Tânia Pellegrini é Professora Emérita da Universidade Federal de São Carlos, onde ensina literatura brasileira e teoria literária.  Doutorou-se na Unicamp, em 1993, e, para este livro, fez pesquisa em Londres, Leiden e Oxford.  É autora, entre outros, de Gavetas vazias – ficção e política nos anos 70 (1993), A imagem e a letra – Aspectos da ficção brasileira contemporânea (1999) e Despropósitos – Estudos de ficção brasileira contemporânea (2008).

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