ENEM

"A prova está ficando cada vez mais conteudista" diz professor sobre o ENEM

Resultados do exame serão divulgados nesta quinta-feira


(Foto: Agência Brasil/Reprodução)

Os resultados do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) serão divulgados na quinta-feira, dia 18. O exame tem como finalidade o acesso ao ensino superior e aos programas governamentais de financiamento estudantil. Nesta edição da prova, foi suspensa a certificação do Ensino Médio.

Para o professor da área de Ciências Humanas e Atualidades, Alexandre Linares, o fim da certificação representa a retirada de uma parcela da população do acesso à universidade.

Neste ano, foi retirada também a resolução de zerar as redações por desrespeito aos direitos humanos. Sobre a decisão, que foi amplamente criticada, Linares esclarece “o aluno pode desrespeitar, mas zera na competência” que continua a ser um dos critérios de avaliação na correção das redações. A redação, assim como o resto da prova, gira em torno de cinco eixos: a linguagem, a interpretação, a análise, a capacidade de formar argumentos e, finalmente, o respeito aos direitos humanos.

Para entender melhor a formulação da nota, é preciso entender a TRI (Teoria de Resposta ao Item) que usa a coerência entre as respostas para qualificar os candidatos. Você pode entender mais sobre ela neste artigo.

O professor, que afirmou que a prova está ficando mais conteudista, disse que, cada vez mais, os alunos estão sendo cobrados por decorar conteúdo, como acontece em provas como a Fuvest, por exemplo. Alexandre comentou também o tema de redação, "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", na sua visão, o tema dificultou a criatividade e não abrangiu a totalidade dos brasileiros que prestam o Exame.

Sobre isso, conversamos também com Ana Paula Dibbern, coordenadora do cursinho Maximize.

Painel: Você acha que a prova está ficando mais conteudista? Se sim, por quê?

Ana Paula: Em 2009 houve uma reformulação na matriz do ENEM, o que o tornou mais complexo em relação ao modelo anterior. Tal mudança coincidiu com o lançamento do SiSU, o sistema on-line que passou a selecionar alunos para as Universidades Federais a partir de 2010. Nesse contexto em que o ENEM substituiu muitos vestibulares, a cobrança de determinados conteúdos mais complexos passou a ser necessária, já que há cursos muito concorridos no SiSU.

A prova precisa ter uma porcentagem de questões difíceis e muito difíceis para que ela consiga medir de forma precisa os alunos que estão na ponta de cima da escala de proficiência. Ou seja, são as questões mais difíceis que definem quem vai entrar em medicina.

Painel: Qual o impacto do fim da certificação do ensino médio?

Ana Paula: Neste momento em que o ENEM ganhou a função de “vestibular nacional”, parece-me acertada a volta para o modelo anterior de certificação do Ensino Médio por meio do Encceja. Podem achar que “prova é tudo igual”, mas, na área de avaliação educacional, é muito difícil construir uma prova única que funcione bem para dois objetivos tão diferentes: a certificação e a seleção. Uma prova seletiva precisa, por exemplo, trazer questões muito difíceis, o que não é necessário em um exame cuja finalidade é a certificação de uma etapa escolar (esse tipo de prova é chamado de “avaliação somativa”, pois ela verifica a soma das aprendizagens de um ciclo escolar e não tem como objetivo ranquear os participantes). Portanto, a volta da certificação pelo Encceja possibilitará o oferecimento de uma prova mais adequada para esse público.

Painel: O que você achou do tema da redação?

Ana Paula: O recorte bastante específico (desafios para a formação educacional de surdos) me surpreendeu um pouco e assustou uma parte dos alunos, mas o tema da inclusão era previsto e é necessário.

 

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