ESPECIAL ESCOLA PÚBLICA

EMEI Nelson Mandela: representatividade e protagonismo no ensino infantil

A questão da educação está ficando preta, e isso é bom

Conheça a EMEI Nelson Mandela, uma escola de ensino infantil do bairro do Limão, na cidade de São Paulo, que repaginou seu currículo para incluir mais representatividade e protagonismo no dia-a-dia dos alunos.

Professores e Diretores por um dia

O projeto que permite a participação de pais e alunos na criação de novas regras e, até mesmo, atividades dentro da escola consiste em um rodízio organizado pela direção. Para ser “professor por um dia”, basta topar o desafio de entreter uma sala com 30 crianças e ter algo à ensinar.

Esta e outras estratégias de incentivo à participação e construção de saberes compartilhados, a exemplo de oficinas de contação de histórias, construção de brinquedos e festas de celebração da cultura negra foram retratadas em vídeo. 

O vídeo a seguir é o segundo episódio de uma websérie produzida pelo Projeto SEI (Sistemas Educacionais Inovadores).

De EMEI Guia Lopes para Nelson Mandela

A mudança de nome foi proposta logo depois de um dos muros da escola amanhecer pichado com uma citação racista e algumas suásticas.

Após este episódio, a necessidade de um nome mais representativo da cultura local, principalmente, das raízes negras foi sentida por toda a comunidade escolar.

De acordo com a diretora da EMEI, Cibele Racy, foi o pai de um aluno quem levantou a questão: quem foi Guia Lopes?

Guia Lopes foi um militar cultuado pelo Exército Brasileiro por sua participação na Guerra do Paraguai, acompanhando tropas durante a Retirada da Laguna.

 Assim, foi escolhido o nome de Nelson Mandela, líder ativista e ex-presidente da África do Sul, para batizar a EMEI. O movimento incluiu passeatas pelo bairro e um projeto pedagógico inspirado na história do personagem histórico. Sobre este processo, a diretora do colégio, Cibele Racy, comentou:

"A alteração do nome da escola está repleta de significado para toda a comunidade da nossa escola. Foi, em primeiro, um ato político, uma vez que avaliamos que seria preciso substituir o caráter militar que muitas denominações de órgãos públicos carregam. Não à toa ninguém da comunidade conhecia a história do nosso antigo patrono e uma das razões é o fato de estar ligada a um episódio histórico brasileiro impróprio ao espírito que deve nortear os trabalhos de uma escola de educação infantil. A conquista de termos alguém que nos represente nos ideais de uma infância sem racismo e preconceito, fortaleceu os vínculos afetivos entre a escola e as famílias, garantindo uma parceria mais do que necessária, querida e desejada."


Nelson Mandela, líder ativista que lutou contra o apartheid na África do Sul. 

"Um dos objetivos, mesmo que esquecido, é que a história de vida de um patrono seja lembrada e sirva de inspiração para todas as gerações que estudem numa escola. Foi uma forma de deixarmos uma marca nesta unidade para que sua missão jamais seja esquecida. O trabalho com a Lei 10.639/03 foi e está sendo capaz de transformar a vida de crianças, suas famílias e dos profissionais que trabalham por aqui." , concluiu Cibele.

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