ESPECIAL ESCOLA PÚBLICA

Conheça os grupos de mães e pais de alunos de escolas públicas

Apoio e ativismo de responsáveis por crianças do ensino público ganham força nas redes


Foto de capa do grupo "Novos Diálogos da Escola Pùblica" (Facebook/Reprodução)

Uma nova onda de pais e mães de alunos de colégio das rede pública tem se mobilizado em função da criação de grupos e páginas com a proposta de discutir o ensino básico.

A maioria dos grupos se concentra no Facebook, reunindo interessados em discutir iniciativas, relatar experiências, dúvidas e, até mesmo, fazer algumas denúncias.

A comunidade on-line da qual fazem parte as famílias e 'agregados' interessados em discutir um ensino público de qualidade é grande. Um bom exemplo, que vale a pena acompanhar é a página Mamatraca, que conta com mais de 150k seguidores. 

Há grupos, como o ‘Novos Diálogos da Escola Pública’ que já passam dos 1.3k membros. 

No Novos Diálogos, os integrantes chegaram a fazer um mapeamento das escolas nas quais têm seus filhos matriculados, para facilitar a integração e planejamento de ações concretas em suas respectivas unidades.


Mapa das escolas nas quais estão matriculadas as crianças, feito por iniciativa dos pais. (Disponível neste link)

Como Surgiram e qual seu valor?

“Logo nos meus primeiros dias já criei com grupo de Whatsapp com as outras mães”, disse Cinthia Rodrigues, jornalista e mãe de gêmeos de 5 anos, sobre o início de sua interação com os outros pais. Logo em seguida, ela relata, foi convidada a integrar os grupos moderados pela ativista Anne Rammi, mantenedora da página Mamatraca.

Para a jornalista, a formação dos grupos tem um valor social de representatividade. Assim, vendo este tipo de movimento, outras mães podem se sentir acolhidas. Para ela, é importante pensar a educação não só a partir das questões individuais de cada escola, mas também como um projeto da sociedade. 

"Não é só altruísmo"

Ela completa, compartilhar histórias e denúncias significa também ter empatia pelo outro e saber que qualquer criança da rede podia ser seu próprio filho.

Cinthia aproveita sua experiência como mãe e jornalista para relatar história e lutar por uma escola pública de qualidade através do blog Escola Pública, no qual escreve quando sobra tempo em meio à tantas jornadas. Além disso, coordena o projeto Quero na Escola.        


Parte dos membros do grupo em reunião presencial. (Foto: Facebook/Reprodução)

Algumas das principais conquistas

Foi através desse tipo de mobilização online que as famílias conseguiram se organizar para barrar o projeto da farinata do prefeito João Dória, que consistia em distribuir uma espécie de “ração humana” feita com restos de alimentos próximos ao vencimento em creches e albergues da Prefeitura.

“Acho que não esperavam que em menos de vinte e quatro horas já estivessemos nas ruas, em família, com comida orgânica e tudo colorido” declarou uma das mães responsáveis por organizar a manifestação.

Cinthia afirmou ter ligado para o Ministério Público para formalizar uma reclamação, por curiosidade, perguntou ao órgão quantas pessoas já haviam feito a mesma queixa até então e obteve a surpreendente resposta: nenhuma. No dia seguinte, após a articulação para o protesto nos grupos de Facebook, as reclamações subiram para 50.

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