CULTURA

Instituto de Estudos Brasileiros apresenta 13 cartas inéditas de Mário de Andrade

Nova edição da Revista do IEB é dedicada ao tema correspondência, trazendo artigos, resenhas e documentação do acervo do instituto

O IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP acaba de lançar o número 67 da Revista do IEB. Dedicada em grande parte ao tema da correspondência, a publicação reúne textos de autores nacionais e internacionais, com destaque para a presença de 13 cartas inéditas de Mário de Andrade.

Pertencentes ao Fundo Mário de Andrade do Arquivo do IEB, os documentos incluem cartas endereçadas ao poeta e editor Augusto Frederico Schmidt, ao antropólogo e historiador Luís da Câmara Cascudo e ao jornalista e político Carlos Lacerda, entre outros.

Na dedicatória da seção, feita ao professor e crítico literário Antonio Candido – morto em maio passado -, o professor do IEB Marco Antonio de Moraes e o pós-doutorando Rodrigo Jorge Ribeiro Neves buscam as palavras do mestre para destacar a importância dessa documentação. “A sua correspondência”, afirma Candido, a respeito das cartas de Mário de Andrade, “encherá volumes e será porventura o maior monumento do gênero em língua portuguesa: terá devotos fervorosos e apenas ela permitirá uma vista completa da sua obra e do seu espírito.”

O dossiê Artífices da correspondência, também organizado por Moraes e Neves, congrega seis artigos sobre o assunto. Num deles, o professor da Université Sorbonne Nouvelle Paris 3 Alain Pagès demonstra a importância do estudo dos manuscritos autógrafos, a partir da correspondência de Émile Zola. Em outro, a professora da Sorbonne Claudia Poncioni e a professora da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) Virginia Camiloti analisam a edição das cartas de Paulo Barreto (João do Rio) ao poeta português João de Barros. Já a pesquisadora Ieda Lebensztayn investiga os vínculos de Graciliano Ramos com a França, através de suas missivas.

De acordo com Moraes e Neves, os textos trazem “diversas visadas metodológicas, críticas e hermenêuticas nas pesquisas devotadas à prática da edição de correspondência e de suas possibilidades de interpretação em clave crítica”.

A seção Artigos também dialoga com o tema central da revista, trazendo o estudo Cartas, escravos e mulheres: três versões de um mesmo tropo, do professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Rodrigo Cerqueira. Nele, Cerqueira estuda as modificações na figura literária do escravo doméstico portador de correspondências amorosas. Para isso, debruça-se sobre Rosa (1849), de Joaquim Manuel de Macedo, O demônio familiar (1857), de José de Alencar, eIaiá Garcia (1878), de Machado de Assis.

“Ao colocar em cena o escravo doméstico como portador de uma carta amorosa”, argumenta Cerqueira, “esses autores discutem, de maneiras distintas, todas historicamente determinadas, um mesmo problema social, que diz respeito às normas de autoridade senhorial e sua dissolução ao longo do século 19”.

A edição se encerra com o Informe IEB, que homenageia Antonio Candido com uma reunião de depoimentos sobre sua trajetória. O número 67 da revista marca ainda a chegada de novos editores à publicação: Ana Paula Simioni, Flávia Camargo Toni e Fernando Paixão, professores e pesquisadores do IEB.

* Originalmente publicado pelo Jornal da USP

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