CRISE NO RIO

Estudantes participam de atividades em prol da paz no Rio de Janeiro

Há sete dias mais de 3.300 estudantes ficaram sem aulas por causa da troca de tiros na comunidade

Estudantes de escolas municipais do Rio de Janeiro participaram nesta quinta-feira (17/08) de uma série de atividades em prol da paz. As manifestações aconteceram ao mesmo tempo em que mais de 3.300 estudantes ficaram sem aulas no Jacarezinho, zona norte da capital fluminense, pelo sétimo dia consecutivo de tiroteios na comunidade.

A campanha "Aqui é um lugar de paz", promovida pela Secretaria Municipal de Educação, é uma resposta aos constantes confrontos e tiroteios que têm causado vítimas todos os dias na cidade e prejudicado milhares de estudantes que acabam sem aulas por causa da violência. O secretário municipal de Educação, Cesar Benjamim, explicou que a iniciativa busca engajar a cidade em ações que contribuam para mitigar a violência.

“O Rio de Janeiro não chegou na situação em que está de repente, foi um processo longo. Também não sairá de repente. Estamos propondo à cidade o início de um processo de reação, para retornarmos a uma situação de relativa normalidade, da qual precisamos”, afirmou.

Os eventos espalhados por diferentes partes da capital fluminense tiveram dança, música, canto coral, oficinas de desenho, jogos e pula-pula. Pelo menos 14 pontos foram ocupados com mostras de trabalhos das crianças. No Museu de Arte do Rio, na zona portuária, alunos fizeram apresentações de balé e ofereceram produtos alimentícios feitos com ingredientes que geralmente são descartados.

A estudante Kailane Victoria, 9 anos, fez geleia e bolo para o público degustar no local. “A geleia é feita com casca de laranja e o bolo, com casca de banana. Tem mais nutrientes e é mais saudável: em vez de jogar a casca forma, você pega e bota no biscoito”, contou.

Professores também aproveitaram o dia para protestar contra o que chamam de descaso da prefeitura com a educação. Em carta aberta, os profissionais da 3ª Coordenadoria de Educação declararam que a paz não virá apenas com discurso. Eles reclamam de falta de estrutura para funcionar desde o início do ano letivo, com poucos profissionais e cortes de verbas para materiais como xerox, cadernos e uniformes.

“Nós, educadores da SME/RJ [Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro], aproveitamos esse evento para informar a população da cidade e aos pais dos alunos a real situação da Rede Municipal de Educação”, diz a carta.

Em março, o prefeito Marcelo Crivella anunciou que todas as secretarias municipais sofreriam cortes de R$ 700 milhões nas despesas da prefeitura, inclusive as educação e saúde, para contribuir para o ajuste das contas do Executivo da cidade.

 

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