RIO DE JANEIRO

Uerj suspende volta às aulas por atrasos de salários

Em nota, reitoria lembrou que funcionários e professores não recebem desde maio e afirmou que situação atingiu 'patamar insuportável'

A reitoria da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) anunciou nesta segunda-feira (31/7) que não retomará suas atividades acadêmicas amanhã (1/8), data prevista para o início do segundo semestre. Em nota, a direção afirmou que a situação financeira da Universidade atingiu um patamar insuportável.


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“No primeiro semestre de 2017, em consideração aos nossos estudantes e à população fluminense, trabalhamos enfrentando todas essas adversidades que, a cada dia, se acentuam. Reconhecemos que, neste momento, não podemos mais aceitar tal sacrifício de nossos servidores e de suas famílias”, afirma o texto. “Atingimos um patamar insuportável que impede a universidade de bem exercer suas funções de ensino, pesquisa e extensão”, continua.

Segundo a reitoria, neste momento servidores e professores da Universidade ainda não receberam seus salários de maio e junho, além do décimo-terceiro referente ao ano de 2016. Bolsas de estudos e empresas terceirizadas de limpeza e manutenção também estão com seus pagamentos atrasados.

“No primeiro semestre de 2017, em consideração aos nossos estudantes e à população fluminense, trabalhamos enfrentando todas essas adversidades que, a cada dia, se acentuam. Reconhecemos que, neste momento, não podemos mais aceitar tal sacrifício de nossos servidores e de suas famílias”, afirma a nota.

Foto: Tânia Rego/ ABr

Uerj atravessa a pior crise financeira de sua história

No anúncio, a Universidade classificou ainda de "discriminativa" o critério adotado pelo governo do estado de priorizar o repasse de recursos para determinadas áreas. Este também foi o motivo apontado por Pedro Fernandes para seu pedido de demissão da Secretaria da Ciência do Rio.

Leia abaixo a nota da Uerj na íntegra:

Nota à comunidade

A Reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ouvido o Fórum de Diretores das Unidades Acadêmicas, reunido em 31 de julho de 2017, vem informar que, a despeito das reiteradas manifestações públicas em relação às precárias condições de funcionamento da Universidade, não houve qualquer progresso das negociações com o governo do estado do Rio de Janeiro nas últimas semanas. 

As condições de manutenção da universidade degradam-se cada vez mais com o não pagamento das empresas terceirizadas, contratadas por meio de licitação pública: limpeza, vigilância e coleta de lixo estão restritas, além de o Restaurante Universitário permanecer fechado.

Somam-se a isso os atrasos salariais dos servidores técnico-administrativos e docentes da universidade (meses de maio, junho e – já nos próximos dias – julho, bem como o não pagamento do décimo-terceiro salário do ano de 2016), os atrasos no pagamento de diversas bolsas, de docentes e alunos, incluindo os cotistas, estes últimos especialmente punidos pela impossibilidade de deslocamento à universidade ou de condições mínimas para prover a própria subsistência. 

O atraso salarial, cada vez maior, gera endividamento crescente, insegurança, angústia e situações de estresse incontroláveis, maximizadas naqueles que se veem impedidos até da simples compra de medicamentos para manutenção básica da saúde. 

No primeiro semestre de 2017, em consideração aos nossos estudantes e à população fluminense, trabalhamos enfrentando todas essas adversidades que, a cada dia, se acentuam. Reconhecemos que, neste momento, não podemos mais aceitar tal sacrifício de nossos servidores e de suas famílias.

Atingimos um patamar insuportável que impede a universidade de bem exercer suas funções de ensino, pesquisa e extensão. Também o nosso Hospital Universitário Pedro Ernesto padece do mesmo problema e funciona com limitações quase impeditivas, diminuindo amplamente o atendimento à população. 

Tal situação nos avilta, ainda mais, pela atitude discriminativa adotada pelo governo do estado do Rio de Janeiro, ao manter em dia, sem parcelamentos ou atrasos, os salários de muitos outros setores do funcionalismo.

Todo o quadro acima mencionado nos impõe a decisão de não dar início ao semestre letivo no dia 1o de agosto, conforme anteriormente previsto no calendário acadêmico. À medida que surjam novos fatos, voltaremos a nos manifestar acerca do início das aulas.

Adiar o início das aulas não é parar a UERJ! Nossa universidade permanece ABERTA e VIVA!

Reitoria da UERJ

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