AÇÃO AFIRMATIVA

Após avaliar fenótipos, Universidade de MG reprova 63% dos candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas

Comissão da Universidade Federal de Uberlândia entrevistou candidatos que concorreram no vestibular do 2º semestre pelo critério de cotas raciais; dos 1.093 convocados, apenas 396 foram aprovados

Apenas 36,23% dos candidatos autodeclarados PPI (pretos, pardos e indígenas) no vestibular do segundo semestre da UFU (Universidade Federal de Minas Gerais) tiveram suas candidaturas homologadas após avaliações para comprovação de fenótipo. Segundo resultado divulgado no início da semana, das 507 vagas disponibilizadas por meio de cotas raciais, apenas 396 foram preenchidas no final do processo seletivo.


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Para evitar fraudes contra o sistema de ação afirmativa, a UFU formou uma Comissão para Diversidade Étnica, formada por representantes dos professores, alunos e técnicos da Universidade, que convocou para entrevistas os candidatos que se inscreveram nas modalidades de vagas reservadas por critérios étnico-racias.

Nas entrevistas, realizadas nos dias 15, 16 e 23 de julho, foram verificados pela Comissão apenas critérios fenotípicos objetivos, para identificação de traços físicos que demonstrassem a percepção do candidato enquanto preto ou pardo.

Não foram levados em conta critérios de origem ou hereditariedade.

No caso dos candidatos autodeclarados indígenas, foi solicitada apresentação da RANI (Registro Administrativo de Nascimento de Indígena), documento que comprova, segundo a Comissão, a relação do concorrente com a comunidade em questão.

Foto: Divulgação/ UFU

Segundo Comissão para Diversidade Étnica da UFU, resultado de entrevistas demonstra uso indevido de política de cotas

Dos 1.093 candidatos convocados em duas rodadas de entrevistas, 321 não compareceram. Entre os 772 que foram entrevistados, somente 396 tiveram suas inscrições homologadas.

“O número de ausências somado ao alto índice de não homologações evidenciam o uso indevido das políticas de cotas e a desinformação de muitos candidatos quanto às condições mínimas necessárias para que façam jus à vaga”, afirmou, em nota, a Comissão para Diversidade Racial. “Certifica-se a necessidade de uma efetiva Educação para as Relações Étnico-Raciais nos estabelecimentos de ensino, para que a população brasileira compreenda como se dão as relações raciais no país, quem são as reais vítimas da discriminação racial e, dessa forma, não cometam o equívoco de ocupar vagas destinadas à parcela da população que resiste à discriminação cotidiana”, continua o texto.

No total, 111 vagas disponibilizadas por meio da modalidade de cotas não foram preenchidas.

O resultado das homologações na íntegra pode ser acessado neste link.

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