CRISE FINANCEIRA

Por atrasos de salários, secretário da Ciência do Rio pede demissão

Pedro Fernandes criticou diferença de tratamento entre professores da Uerj e da secretaria de Educação; servidores da universidade estão com três meses de salários atrasados

O secretário estadual de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Pedro Fernandes, pediu demissão do cargo. A decisão foi motivada pelo atraso no pagamento de servidores de sua pasta.

Por conta da crise financeira, o estado do Rio adotou um calendário diferenciado, que prioriza o pagamento de alguns servidores de algumas pastas, como Educação, Saúde e Segurança, em detrimento de outros, como a secretaria da Ciência.

Uma das instituições mais afetadas pela estratégia é a Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), ligada à pasta de Fernandes. No dia 5 de julho, em carta assinada com reitores de outras universidades estaduais, a instituição declarou que não deverá iniciar as atividades do segundo semestre de 2017 caso os salários atrasados não sejam quitados.

De acordo com o documento, assinado no dia 29 de junho, professores e funcionários ainda não haviam recebido até aquela data os vencimentos dos meses de abril, maio, junho e o 13º de 2016.

Foto: Thiago Lontra/ Alerj

Pedro Fernandes pediu demissão do cargo de secretário da Ciência do Rio de Janeiro

“A gente não aceita essa diferença de tratamento porque os professores da Secretaria de Educação não são mais importantes do que os professores da Uerj e da Faetec. O médico e o enfermeiro da Secretaria de Saúde não são mais importantes do que os médicos e enfermeiros do Hospital [Universitário] Pedro Ernesto”, disse.

Segundo o secretário, ocorrem conversas com o governador Luiz Fernando Pezão há algum tempo e, inclusive, ele disse que já ameaçou se demitir se a situação não mudasse. Fernandes disse que ficará no cargo até que um novo secretário seja escolhido.

Como ele tem um mandato de deputado estadual, voltará à Assembleia Legislativa. Ao assumir de novo o mandato, disse que proporá uma lei para evitar que funcionários da mesma área tenham tratamento diferenciado, independentemente da secretaria a que estejam subordinados.

O governo do Rio de Janeiro informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não irá se pronunciar sobre a demissão do secretário.

(*) Com informações da Agência Brasil.

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