DEMOCRACIA

Quem ganha e quem perde nas eleições francesas

Um balanço da disputa eleitoral na França

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QUEM PERDE

Socialistas

François Hollande é o grande derrotado junto com o Partido Socialista

O grande perdedor dessas eleições é, sem dúvida, o Partido Socialista. Vários analistas políticos vêm apontando que, no momento em que François Hollande anunciou, em dezembro último, que não seria candidato à reeleição, foi criada uma fissura dentro do partido. A escolha de Benoît Hamon jogou uma pá de cal na unidade partidária sendo que o maior rompimento ocorreu, no ultimo dia 29 de março, deste ano, quando o ex-premier Manuel Valls, homem forte do partido, anunciou seu apoio incondicional a candidatura de Emmanuel Macron. Por outro lado 95% dos atuais parlamentares do Partido Socialista já indicaram, no caso de vitória Macron, apoio incondicional ao seu governo.

Na sequência ao anúncio de Valls, muitos filiados ao PS, das diferentes regiões do país, vêm seguindo seu caminho e declarando apoio a Macron. Muitos se perguntam se esse será o fim melancólico do partido que já teve, na figura de François Mitterand seu grande líder como o presidente mais longevo da França da Vª República (1981 a 1995).

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QUEM GANHA

À direita

Macron, o mestre da dissimulação e do oportunismo

Emmanuel Macron é, sem dúvida, o que melhor soube aproveitar das estruturas políticas e dos ventos favoráveis para fazer jogo pessoal e criar o movimento En Marche nas barbas de François Hollande. Esse jovem de 39 anos que se apresenta como o candidato dos tempos de modernidade e inovação defende políticas de esquerda e de direita quando lhe convém. A revista semanal Marianne afirma que Macron “não é nem de esquerda, nem de direita” e o descreve como “um jogador maquiavélico”. Citando uma pessoa próxima ao candidato, salienta que “ele é o homem que sabe melhor dizer bom dia no norte do Equador. É como se toda a sua existência só tivesse um fim, a conversação”. E continua: “Quando falamos sobre política eu não sei o que ele pensa. É um truque de alto funcionário do Estado”.

No trecho de um dos seus livros, relembra a revista Marriane, Macron faz uma confidência da sua juventude: “Eu tinha a ambição devoradora dos jovens lobos de Balzac”. Se “A comédia humana” é quem melhor retrata a nascente sociedade burguesa capitalista do século XIX, agora é Macron que quer, mediando entre políticas sociais re-estruturadas e um moderado neo-liberalismo, reinventar o capitalismo francês.


À esquerda

Mélenchon quer reinventar o capitalismo do século XXI

Ao findar o primeiro turno das eleições presidenciais de 2017, pode-se destacar o papel de destaque do grande orador Jean Luc Mélenchon. Esse ex-trotiskista e membro fiel do Partido Socialista durante décadas, após perder as eleições presidências de 2012 para seu desafeto François Hollande, se reinventou.

Ao criar o Front de Gauche ele tentar trazer, como disse o cientista politico Gäel Brustier em entrevista recente à imprensa francesa: “o número de franceses que não se identificam nem a direita e nem a esquerda não para de crescer, segundo as pesquisas (...) O Front de Gauche de 2012, surgiu num momento da busca de novas fronteiras politicas num contexto de mutação de clivagens”.

Jean Luc Mélanchon, que é um daqueles políticos que tem o dom da palavra e sabe falar para multidões, propõem uma nova ordem política com inclusão de comunistas, socialistas, ecologistas e mesmo os republicanos de direita desiludidos com a revelação dos escândalos envolvendo François Fillon. É a famosa esquerda plural, uma vez tentada há vários anos por Lionel Jospin, de quem ele se apresenta como sucessor. E o mote dos seus discursos é “Revolução Cidadã” com inspiração republicana para dar uma resposta aos novos tempos do capitalismo.

Emmanuel Macron e Jean Luc Mélanchon, cada um a sua maneira, tentam domar o capitalismo. Tarefa difícil em tempos difíceis.

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