EDUCAÇÂO

Haddad: “conhecimento deve chegar sem filtro aos estudantes”

'Como alguém se posicionará criticamente se não tiver contato com visões diferentes de mundo?', disse o ex-prefeito sobre o projeto Escola Sem Partido

Nesta quarta-feira (19/04), Fernando Haddad esteve na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de Sâo Paulo)  para participar das gravações da nova temporada do programa Aula Pública, produzido pelo portal Opera Mundi e pela TVT (TV dos Trabalhadores). O ex-prefeito de São Paulo ministrou duas aulas, que tiveram como temas centrais a relação entre democracia e a cidade.

Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

No início de sua fala, Haddad relembrou as raízes histórias da democracia como forma de governo que garantia a participação dos cidadãos nas decisões políticas. A partir dessa posição, colocou em discussão problemas das grandes metrópoles, em especial a questão do deslocamento e do acesso às atividades de lazer e educação.

O público, em sua maioria de jovens universitários, fez perguntas sobre projetos iniciados durante a gestão do petista na prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016. As questões da arte urbana, do transporte público e da qualidade de vida na periferia foram temas recorrentes.

Escola Sem Partido

O ex-prefeito também foi questionado sobre as “fiscalizações” feitas pelo vereador Fernando Holiday (DEM) em escolas municipais para verificar o conteúdo ministrado pelos professores. De forma categórica, Haddad classificou a atitude do jovem político como absurda e desrespeitosa. 

"A ‘Escola Sem Partido’ é a escola do partido único. Se você for parar para pensar, eles querem que a ideologia deles não seja considerada ideologia, então é um partido único. Eles querem que a escola não seja plural, não seja diversa”, afirmou Haddad com exclusividade para o Painel Acadêmico.  “Na verdade, a gente precisa que o conhecimento chegue sem filtro, a não ser os pedagógicos, esses devem ser considerados, mas não filtros ideológicos.”, completou.

Em comunicado publicado na última quinta-feira (13/4), relatorias especiais do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) recomendaram que o governo brasileiro tome atitudes necessárias para conduzir uma revisão dos PLs (projetos de lei ) que tratam do Escola Sem Partido. Segundo as relatorias, as autoridades brasileiras devem assegurar a conformidade desses projetos com a base dos direitos humanos internacionais e a Constituição Federal de 1988. A legislação protege o direito à opinião, sem interferências, e o direito a buscar, receber e partilhar informações e ideias de todos tipos, independentemente de fronteiras ou meios, o que, segundo o documento, não está claro nos PLs.

Os relatores pediram um posicionamento do governo brasileiro dentro de 60 dias, mas a resposta não é obrigatória. 

No começo do mês, Fernando Holiday publicou em sua página no Facebook um vídeo no qual informava que teria feito visitas surpresas em escolas da capital paulistas com intuito de fiscalizar os conteúdos propostos pelos professores e assim evitar casos de “doutrinação ideológica” dentro da sala de aula.

O vereador é ativista do grupo MBL (Movimento Brasil Livre) e a favor do projeto “Escola Sem Partido”, proposta que pretende impedir que professores abordem temas sobre política, religião e gênero dentro do ambiente escolar para proteger os alunos do que afirmam ser “contaminação ideológica”.

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