SÉRIE ESPECIAL

Eleições francesas: 'temporada de caça' por votos indecisos está aberta

11 candidatos, da extrema direta à extrema esquerda, lutam pelos votos de 47 milhões de eleitores que ainda não sabem quem apoiar nas eleições presidenciais da França

(*) Esta é a primeira reportagem da série especial que será publicada com exclusividade no Painel Acadêmico pelo jornalista Marcus Ozores, que acompanha de Paris os desdobramentos da eleição presidencial francesa. 

No domingo, 23 de abril, 47 milhões de franceses estão inscritos para votar no primeiro turno das eleições que escolherá o oitavo presidente da Vª República Francesa[1], inaugurada com eleição de Charles de Gaulle para seu primeiro mandato, em dezembro de 1958. Para as eleições desse ano de 2017, estão inscritos 11 candidatos que oferecem aos eleitores um cardápio de propostas eleitorais que vão da extrema direita à extrema esquerda.

MidiLibre

Como candidatos de esquerda se apresentaram quatro candidatos: Benoît Hamon candidato oficial do Partido Socialista; Jean Luc Mélanchon candidato pela Frente de Esquerda; Nathalie Arthaud pela Luta Operária e; Philippe Poutou pelo Novo Partido Anticapitalista.

A direita francesa está representada com três nomes: Marine Le Pen pelo partido da Frente Nacional; François Fillon pelo partido Os Republicanos e; Nicolas Dupont-Aignan que se apresenta como candidato gaullista pelo partido França em Pé.

Quatro são os candidatos independentes: Emmanuel Macron, ex-ministro de Economia do atual governo de François Hollande até o final de 2016 é candidato pelo partido Em Marcha;  Jean Lassale pelo movimento Chegou a Hora; Jaques Guy Cheminade pelo partido Solidariedade e Progresso e; François Asselineau pela União Popular Republicana.  

As pesquisas de opinião divulgadas ontem pelo site Franceinfo apontam que quatro candidatos disputam a preferência do eleitorado e, na fotografia do momento, todos eles com possibilidade de conseguir vaga para disputar o segundo turno que ocorre no domingo dia 7 de maio. Marine Le Pen candidata pelo ultraconservador partido da Frente Nacional  lidera a vários meses a liderança da intenção dos votos como 24%. Em segundo aparece o jovem Emmanuel Macron, ex-aluno da prestigiosíssima ENA (Escola Nacional de Administração) candidato pelo movimento criado por ele no ano passado, o ‘Em Marcha’ com 23%.  Em terceiro lugar está o candidato da Frente de Esquerda, Jean Luc Mélanchon, com 19%, seguido por uma diferença de 0,5% por François Fillon, candidato da direita e ex-ministro da Educação, em 2004, durante o governo Chirac.

Entre os demais candidatos o mais próximo do primeiro pelotão é Benoît Hamon, candidato oficial do Palácio do Eliseu, após a desistência de François Hollande em se recandidatar para um segundo mandato. Aparecem ainda pontuando, na preferência do eleitorado francês, muito atrás da linha de chegada Nicolas Dupont-Aignan candidato da direita gaulista com 3,5%, seguido por Phillipe Poutou do ultra esquerdista partido Anticapitalista com 2%. Mais dois candidatos aparecem nas sondagens com 1% de intenção de votos cada. Nathalie Arthaud da Luta Operária Arthaud e o candidato representante dos agricultores franceses, a chamada França Profunda, Jean Lassale pelo partido Chegou a Hora. 

Esse último candidato da lista Jean Lassale, representante da chamada França profunda se apresenta ao eleitorado o seu bordão tradicional: “um pastor candidato à presidência da República”. Os leitores brasileiros não se apressem na leitura rápida e em interpretações errôneas achando que o neopentecostalismo está avançando em terras de França. Não, não se trata de um candidato membro de alguma igreja pentecostal, mas sim, de um pastor de ovelhas como o próprio Lassale se apresenta aos eleitores: “Sou um pastor de ovelhas. Nasci numa pequena fazenda nos Pirineus(...)”.

O grande eleitor: abstenção

Como não há exigência do voto obrigatório na França a taxa de abstenção nas ultimas eleições presidenciais vem registrando uma média de 20%, mas com tendência de alta. Pesquisa coordenada pelo jornal Le Monde e a prestigiosa SciencesPo, divulgada no inicio do mês de abril, apontava que, para as eleições desse ano, apenas 66% dos pesquisados consultados afirmaram que iriam comparecer às urnas. Um dos fatores que pode aumentar o número de abstenções é que em algumas regiões da França o domingo, dia 23, cai no meio do feriado da Páscoa que é o ultimo longo feriado antes das férias de verão.

Para agravar ainda mais a situação sobre o quadro indefinido das intenções de votos para esse ano, uma outra pesquisa divulgada no domingo dia 9 de abril pelo canal de maior audiência no país, o France 1, apontava que a metade, dos 47 milhões de eleitores inscritos,  não sabiam ainda em quem iriam votar, faltando menos de 20 dias para a eleição.

Em face a essas previsões pessimistas os candidatos estão empreendendo uma verdadeira caça aos votos dos indecisos e agendando encontros com grupos de apoio em todo o país. É aquele momento em que os candidatos, como se costuma dizer no Brasil, passa a dar bom dia a poste. No ultimo domingo, por exemplo, na porta de Versailles, em Paris, o candidato da direita François Fillon reuniu uma multidão durante seu discurso. Os jovens são os mais visados, pois, estão na ponta das sondagens como os que ainda não escolheram um candidato.

Até vinte dias atrás as pesquisas apontavam, com certa vantagem na disputa de cabeça a cabeça para cruzar a linha de chegada do primeiro turno dois nomes: a ultra direitista Marine Le Pen e o liberal de direita independente Emmanuel Macron. Esse quadro, contudo, vem se alterando rapidamente nos últimos dias e os jornais, telejornais, rádios e mídias digitais vem se desdobrando em análises e na formulação de equações complicadas para interpretar as pesquisas de opinião das mais diversas matizes, principalmente as pesquisas que acompanham as mídias digitais. Boa parte dos pesquisadores e especialistas entrevistados tem afirmado que, após a eleição de Donald Trump, para presidente dos EUA, as pessoas passaram a ver as pesquisas de opinião com muito descrédito.  

As pesquisas de opinião que vem sendo divulgadas desde a segunda feira, dia 10 de abril, pelos diferentes órgãos de imprensa apontam o rápido crescimento de outros dois candidatos com possibilidade para disputar o segundo turno. Jean Luc Mélanchon candidato da União das Esquerdas com 18% e François Fillon, da direita conservadora, com meio ponto atrás.

O tradicionalíssimo e conservador jornal Le Figaro, em circulação ininterrupta desde 1826, ao notar que Jean Luc Mélanchon, com suas propostas da volta da aposentadoria aos 60, do aumento do salário mínimo e contra as cotas de imigração, entre outras políticas públicas voltadas aos mais desfavorecidos, trouxe como manchete em sete colunas na sua edição de ontem: “Mélenchon: o delirante projeto do Chaves francês” e para completar um editorial, também na primeira página, intitulado: “Maximilien Ilitch Mélenchon”.

Se, por um lado, a direita francesa que se exprime através das tintas impressa nas páginas do Le Figaro, nesse momento crucial da caça aos votos dos indecisos tenta combater a rápida subida de Mélenchon nas várias sondagens de opinião; é a candidata da ultra direita Marine Le Pen que causa maior preocupação e expectativa ao mundo político e financeiro da Europa. Na edição do último domingo, o jornal Le Monde, trouxe um caderno especial sobre eleições, com matérias assinadas de correspondentes sediados em várias capitais europeias. Líderes políticos da Alemanha, Suécia, Dinamarca entre outros, entrevistados pelos jornalistas do Monde, numa voz quase unanime afirmam que o maior receio é a possibilidade da Marine Le Pen ganhar as eleições presidenciais. Isso porque o seu ideário político é baseado na retirada da França da União Europeia e da zona do euro. Muitos dos entrevistados afirmaram que com Trump, na presidência dos EUA, somado às suas políticas xenófobas, somados ao Brexit da primeira ministra inglesa, Theresa May, a possibilidade de Marine Le Pen ganhar a eleição e se alinhar a esses dois lideres mundiais é muito grande e essa possibilidade pode causar danos irreparáveis à sobrevivência da União Européia e ao euro.

Voto útil em Macron?

Nesse jogo de escaramuças entre direita, extrema direita, esquerda e extrema esquerda o candidato independente Emmanuel Macron do partido Em Marcha, aparecia, até o inicio dessa semana, para parte do eleitorado, como o candidato, que reunia as condições necessárias para derrotar Marine Le Pen no segundo turno, uma vez que Marine é considerada já como candidata para continuar na disputa.

Com 40 anos de idade e uma carreira meteórica tanto no serviço público, como na iniciativa privada, Emmanuel Macron conviveu com a liderança política do Partido Socialista até quase o final de 2016, quando deixou o cargo de ministro da Economia para se candidatar à presidência. As pesquisas de intenção de voto que vem sendo divulgadas apontam que se Macron e Le Pen forem os candidatos do segundo turno, Macron vence com quase 60% dos votos.

Com formação exímia pela ENA, Escola Nacional de Administração, Macron conta com apoio de vários grupos dentro do próprio Partido Socialista, como o ex-prefeito de Paris, Betrand Dellanöe, que anunciou publicamente seu apoio ao candidato do Em Marcha no inicio do mês de março. Essa posição de Delanöe – lembrado por muitos parisienses como um dos mais inovadores prefeitos da capital francesa, das ultimas décadas, que promoveu a melhoria no transporte público da capital, com o uso comunitário das bicicletas e os automóveis movidos a energia elétrica – causou o rompimento político com sua sucessora na prefeitura da capital da Republica, e parceira do PS, Anne Hidalgo.

Nessa temporada aberta de caça aos votos dos indecisos alguns jornais têm chamado à atenção do público leitor para o fato de que, com o alto número de indecisos e as férias de Páscoa a partir do próximo final de semana – e que se estenderá até após as eleições em algumas regiões do país - a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen é a maior favorecida desse quadro.

Nas eleições presidências de 2002 o candidato Jaques Chirac, se recandidatou ao cargo de presidente com dois fortes concorrentes. Por um Leonel Jospim, ex-primeiro ministro de Chirac e candidato pelo Partido Socialista e o pai da atual candidata da Frente Nacional Jean Marie Le Pen. Naquele ano as eleições também coincidiram com as férias de Páscoa e no domingo dia da eleição houve abstenção imensa, principalmente em Paris. Como a abstenção era muito grande no período da manhã, rádios e televisões começaram a divulgar boletins de noticias pedindo que a população voltasse para votar. Naquele ano Leonel Jospim era tido como um dos preferidos e o Partido Socialista perdeu um dos seus melhores quadros.

Em 2002, como agora, para enfrentar a Frente Nacional de Marine Le Pen  a busca do voto útil pode vir a ser o fator determinante nos indecisos. O jogo ainda está sendo jogado e só terminará as 18h00 do domingo, dia 23 de abril.

Um dado importante é que aqui na França 67% da população apta a votar declarou às pesquisas de intenção de voto que leram as propostas de campanha dos candidatos. Isso, pelo menos, garante um mínimo do conhecimento que o eleitor deve ter na hora de escolher o seu candidato.

Perfil dos candidatos

Candidatos da Esquerda

Jean-Luc Mélenchon

Nascido no Marrocos em 1951, é candidato pelo movimento Front de Gauche (FG -Frente de Esquerda) mas só decidiu ser candidato após um acordo com o Partido Comunista Francês (PCF), no ano passado. Mélenchon, que é licenciado em filosofia, foi militante do Partido Socialista de 1976 até 2008 quando saiu para fundar o Parti de Gauche (PG). Nas eleições de 2012 obteve a quarta colocação com 11,10% dos votos.

Ele se qualifica como socialista republicano e sua ambição é ser o representante de toda esquerda para propor uma política antiliberal numa “revolução cidadã” como afirma e defende ainda a refundação da República Francesa. Dentre os candidatos da esquerda é o que mais tem chance de ir ao segundo turno.

As últimas pesquisas de opinião, divulgadas essa semana, na França apontam uma alta nas intenções votos pró Mélenchon e existe a possibilidade que ele possa vir a disputar o segundo turno das eleições presidenciais.

Benoît Hamon

É o candidato oficial do  Partido Socialista (PS) do atual presidente François Hollande. Nascido em 1967, na cidade de Saint-Renan, no Finistére francês, é licenciado em história e desde jovem é membro do Partido Socialista tendo assumido, aos 25 anos, em 1993, a presidência do Movimento dos Jovens Socialistas. Benoît foi ministro do governo Hollande tendo ocupado o cargo de encarregado da economia solidária. Ele é a esperança longínqua do Partido Socialista continuar à frente do governo francês por mais um mandato, uma vez que François Hollande decidiu não se recandidatar. A ultima vez que um membro do PS esteve à frente da presidência foi com Mitterrand que exerceu o longevo mandato de 14 à frente da presidência do país entre 1981 a 1995.

Nathalie Arthaud

Candidata da ultra esquerda pelo partido Luta Operária (LO), essa é a sua segunda candidatura à presidência. Em 2012, quando disputou, com François Hollande, conseguiu 0,56% do total de votos. Professora concursada em economia e gestão Natalie - mesmo durante a intensa campanha presidencial desse ano de 2017 - não abandonou suas atividades profissionais e continua com suas aulas no Liceu Courbousier, em Auberville, na região parisiense. Nascida na cidade de Peyrins, nos Alpes franceses, ela se intitula como a única candidata comunista inscrita para disputar eleições nesse ano de 2017.

Philippe Poutou

É candidato pelo Nouveau Parti-Anticapitaliste, NPA, (Novo Partido-Anticapitalista). Dentre os candidatos Poutou é o único que não possui diploma de curso superior. Poutou é trabalhador da Ford e cedo entrou para o movimento operário e faz parte da poderosa CGT (Confederação Geral do Trabalho). É a segunda vez que disputa a presidência, sendo que em 2012 obteve 1,15% dos votos.

Candidatos da Direita

Marine Le Pen

Candidata da extrema direita pelo Frente Nacional (FN) é advogada e herdeira política do seu pai Jean-Marie Le Pen, o fundador do partido Frente Nacional em 1972.

Marine Le Pen assumiu a presidência da Frente Nacional durante o congresso do partido em 2011 e se candidatou no ano seguinte para disputar a presidência do governo francês.

Um destaque na sua carreira é que a primeira vez que assumiu uma exposição pública junto à imprensa foi justamente no segundo turno da eleição presidencial de 2002 quando seu pai, Jean-Marie Le Pen, pela primeira disputou o segundo turno das eleições presidenciais passando à frente do candidato socialista Lionel Jospin que aparecia nas sondagens de  opinião da época como um dos nomes preferido para disputar o segundo turno com Jacques Chirac.

No momento Marine Le Pen é, entre as candidaturas da direita a que mais tem chance de disputar o segundo turno.

François Fillon

Nascido em 1954 é mais um representante da extrema direita francesa e disputa a presidência pelo partido Os Republicano (Les Republicans), tendo longa folha de serviços prestados durante décadas a dois dos três partidos que veem sucessivamente se alternando no Palácio do Eliseu há mais de quatro décadas: a UMP (União por um Movimento Popular) e RPR (Reunião pela República. O terceiro partido é o Partido Socialista.

Fillon tem dois diplomas, sendo o primeiro como jornalista, profissão que exerceu durante três anos na Agencia France Press, e o segundo em direito público pela Universidade do Maine. Ocupou por várias vezes o cargo de ministro do governo francês a partir dos anos 1990. Dentre os cargos que ocupou foi o de ministro da Educação entre 2004/2005 quando fez aprovar a chamada Lei Fillon que previa reforma de base na educação. François Fillon também ocupou o cargo de primeiro ministro no governo Nicolas Sarkozy, em 2007, aos 53 anos. Nesses últimos dias de campanha tem realizados vários encontros de massa nas grandes cidades da França e aumenta sua perspectiva de poder disputar vaga para segundo turno das eleições.

Nicolas Dupont-Aignan

Diplomado em direito pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é representante da aliança França em Pé (Debout la France), uma frente independente de direita com tendências gaullistas republicanas. Dupont-Aignan, nascido em Paris em 1961, em 1989 consegue se inscrever e também se diplomar pela Escola Nacional de Administração (ENA). Tem o mesmo caminho que outros candidatos e passa a trabalhar no Ministério da Educação. Em 31 de março de 2007 criou o Partido Republica em Pé, base do atual DLF e que tem como ideário partidário a defesa de uma França gaullista e republicana.

De uma certa maneira, boa parte das posições políticas do movimento França em Pé, guarda muitas similaridades com as propostas ultra direitistas de Marine Le Pen, principalmente no que ser refere à questão dos imigrantes e propõem a redução de 50% a entrada atual de imigrantes em território francês. Suas chances são muito pequenas e até o momento as últimas pesquisas apontam que terá próximo de 3,5% dos votos.

Grupo dos candidatos Independentes

Emmanuel Macron

É candidato independente pelo movimento político En Marche (Em Marcha). Macron faz parte de candidatos saídos do seleto grupo de ex-alunos da prestigiadíssima Escola Nacional de Administração (ENA) onde se diplomou em 2004. Nesse mesmo ano iniciou carreira como funcionário do Estado francês no cargo de inspetor de finanças. Foi filiado ao Partido Socialista de 2006 a 2009, tendo deixado o PS logo após assumir cargo de alto executivo do grupo financeiro Rothschild &Cia.

Após se enriquecer – como afirmam biógrafos da sua curta trajetória - ao participar de uma fusão do grupo Rothschild, Macron voltou à vida pública ao ser nomeado em 2012 como secretário geral adjunto do gabinete do presidente da República Francesa. Dois anos depois, em 2014, foi nomeado Ministro da Economia, Indústria mantendo o cargo até 2016, quando funda o movimento Em Marcha e decide se candidatar à presidência da República.

Macron é o candidato que conta com apoio de vários membros do Partido Socialista e está em primeiro lugar nas pesquisas de opinião.

Jean Lassale

Candidato independente que representa a França profunda, a dos pequenos agricultores. É candidato pela coligação intitulada “Chegou a hora”  (Le Temps est venu), faz uso do verde dos ecologista e se apresenta como pastor de ovelhas e profissionalmente é técnico agrícola. Lassale foi um dos prefeitos eleitos mais jovens da França, aos 21 anos, em 1977, de Vallée d’Aspe, na região dos Pirineus Atlântico.  Um dado curioso é que até três dias antes do fechamento das inscrições para candidatura junto ao Conselho Constitucional Lassale havia conseguido 453 assinaturas das 500 necessárias para registrar sua candidatura à presidência. Porém, no dia seguinte a esse anuncio, em 18 de março de 2017 o presidente da Associação dos Prefeitos Rurais da França reuniu a imprensa para afirmar que havia obtido as 500 assinaturas necessárias para inscrever o nome de Lassale  como candidato à presidência da Republica Francesa.

Jaques Guy Cheminade

É representante do centro direita, com tendências muito conservadoras, e disputa pela terceira vez a presidência pelo movimento Solidariedade e Progresso (SP). Nascido em 1941, em Buenos Aires, filho de um representante de empresas francesas na Argentina, tem dupla nacionalidade e só ingressou na França do pós guerra, aos 18 anos. Cheminade também faz parte da lista dos que estudaram nas boas escolas francesas. Ele tem dupla diplomação. Na EHEC (Escola de Altos Estudos Comerciais) e bacharel em direito pela prestigiosíssima ENA (Escola Nacional de Administração). Como todo ex-aluno da ENA seguiu carreira de funcionário do Estado francês, tendo ocupado importantes cargos no Ministério da Economia.

Cheminade, no inicio da década de 1980, abandonou suas funções públicas e assumiu a presidência do Partido Operário Europeu Francês que teve curta duração. Em 1996 fundou o Partido Solidariedade e Progresso que se auto proclama como uma alternativa entre o liberalismo e o marxismo. O Solidariedade e Progresso defende a mudança total no sistema financeiro mundial visando acabar com o que eles chamam de ‘ditadura financeira’.

François Asselineau

É candidato que se alinha com a direita pelo partido UPR (União Popular Republicana). O UPR oscila entre o que podemos classificar entre  direita e extrema direita. A decisão de criar a União Popular Republicana foi do próprio Asselineau em 2007.

François Asselineau é parisiense de nascimento e também se alinha entre os candidatos diplomados pelas duas melhores escolas do país destinadas à formação da elite da administração pública da França: Escola Nacional de Administração, a renomada ENA e a Escola de Altos Estudos Comerciais de Paris, HEC. Asselineau entrou para a carreira pública em 1985 e vem ocupando, desde então, importantes cargos no Ministério das Finanças.

O partido da União Popular Republicana tem como ideário a saída da França da União Europeia; da OTAN (Organização do Tratado  do Atlântico Norte) e, consequentemente, da zona do euro. Seu grupo de apoio tem como ação nessas eleições o #hastag Frexit#, numa referência ao Brexit.

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