EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Universidade deve ensinar aluno a evitar informações falsas nas redes sociais, aponta estudo britânico

Pesquisa recomenda que faculdades estimulem olhar crítico dos estudantes sobre o conteúdo que circula na internet

Pesquisadores da Open University e da Universidade de Nottingham Ningbo, do Reino Unido, recomendaram que as universidades sejam responsáveis por preparar seus estudantes para discernir notícias falsas e possíveis manipulações de informações nas redes sociais, como o Facebook e o Twitter.

A recomendação é uma das conclusões de estudo que investigou o comportamento de 150 internautas da Europa, América do Norte e Ásia, e estará no livro Taking Offence on Social Media: Conviviality and Communication on Facebook. A obra ainda não foi lançada.

De acordo com os pesquisadores, as universidades devem exigir de seus alunos exercícios de leitura crítica de todo material encontrado na internet. Segundo a pesquisa, a maioria dos alunos se preocupa com fontes e credibilidade apenas para desenvolver artigos e pesquisas acadêmicas, deixando de lado a área da informação.

O estudo aponta que alguns usuários transformam suas timelines em “bolhas”, construindo deliberadamente um feed que apresenta apenas informações e notícias com as quais eles próprios concordam.

De acordo com um dos autores da pesquisa, o professor Phillip Seargeant, da Open University, estas “bolhas” facilitam a circulação de notícias falsas, pois permitem que apenas informações ou opiniões extremas sobre um lado circulem nestas timelines.

Segundo o especialista, os estudantes poderiam evitar a criação de “bolhas” em suas redes sociais sem maiores problemas se recebessem aulas sobre o tema em suas universidades.

As notícias falsas geraram polêmica no último ano, com a vitória do magnata Donald Trump na eleição presidencial  dos Estados Unidos. As informações falsas, ou manipuladas de acordo com certo ponto de vista, foram muito propagadas pela internet durante a campanha eleitoral, o que causou discussões entre especialistas sobre o papel das redes sociais e sua influência no jornalismo moderno.

Para Seargeant, no entanto, até o momento a discussão tem focado apenas em como é possível melhorar as tecnologias para combater o problema sem levar em conta a educação dos próprios usuários.

(*) Com informações da revista britânica Times Higher Education. 

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