#ESCOLADEMOCRÁTICA

Renato Janine Ribeiro: Nenhuma família dá conta de transmitir conhecimento aos filhos; isto é papel da escola

‘Escola Sem Partido tenta confinar a criança aos valores dos pais, mas o que ela precisa da família é amor e afeto’; ex-ministro da Educação está no 21º vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

“O conhecimento é a forma pela qual a criança o adolescente sai do universo acolhedor da família e se preparar para lidar com um mundo que não é tão acolhedor assim. Nenhuma família dá conta de transmitir conhecimento aos filhos, isso é papel da escola e da sociedade. É por isso que o projeto Escola Sem Partido é errado. Ele tenta confinar a pessoa: na religião, nos princípios, nos valores e no conhecimento dos pais. O que a criança precisa do pai não é conhecimento, é amor, é afeto. Esse amor e afeto se expressam melhor se o pai insistir com o filho que ele estude, que ele aprenda, que ele faça o que a escola traz de bom, o que a internet traz de bom, o que o mundo traz de bom”

Ministro da Educação entre os meses de abril e setembro de 2015, Renato Janine Ribeiro é professor titular da cadeira de Ética e Filosofia Política da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP. Vencedor do prêmio Jabuti na categoria “Melhor Ensaio” em 2001 e condecorado com a Ordem Nacional do Mérito Científico (1998) e com a Ordem de Rio Branco (2009), ele está no 21º vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

“No Brasil há gente que não gosta da educação, ou que não sabe o que é educação. Todo ano surge um factoide, uma coisa sem importância, mas falsa, pra desviar nossa atenção das questões sérias da educação”, afirma Janine. “Passamos esse ano agora discutindo se a escola doutrina ou não ao invés de discutir as questões sérias da educação. Muito importante dizer o seguinte: a escola tem que ser um espaço de liberdade. Professores e alunos tem que ter conhecimento”, continua.

O professor, que também já atuou como Diretor de Avaliação da Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), identifica que o alto nível de analfabetismo e de jovens que concluem o ensino básico sem conseguir escrever ou fazer as quatro operações matemáticas são, atualmente, os principais problemas da Educação brasileira.

“Nós temos um nível de analfabetismo grande. Nós temos, desde as crianças de oito anos, até as que terminam o terceiro ano da escola pública, 22 % que não sabem ler, 32% que não sabem escrever direito, 57% que não sabem fazer as quatro operações matemáticas. E aí, invés de colocarmos como prioridade fazer essas pessoas tendo futuro sabendo português e matemática, passamos o ano passado discutindo o medo de que algumas pessoas tem de que a escola fosse induzir as crianças a uma vida sexual promíscua, o que não é um problema, não é uma coisa que exista com essa relevância”, afirma.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.

Valter Campanato/ ABr

Renato Janine Ribeiro, professor da USP e ex-ministro da Educação

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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