#ESCOLADEMOCRÁTICA

Lilian Kelian: 'Escola Sem Partido vai na contramão das aspirações dos jovens'

'Jovens querem escola onde possam discutir política, questões de gênero e conviver com elementos de várias culturas. Uma escola realmente democrática'; educadora do Cenpec está no 20º vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

“O que me chama atenção é que o Escola Sem Partido vai um pouco na contramão das aspirações dos jovens. A gente tem desde o ano passado mobilização estudantil secundarista muito intensa que, nós que somos da área da Educação estamos valorizando muito. Sempre se imaginou que os jovens não estavam interessados na escola. E o que eles mostram é muito interesse, que eles veem significado na escola.”

Historiadora formada pela USP (Universidade de São Paulo), Lilian L’Abbate Kelian atua há mais de dez anos na formação de educadores, gestão e avaliação institucional de projetos educacionais. Coordenadora executiva do projeto Jovens Urbanos do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) - programa que tem como objetivo ampliar o repertório sociocultural de jovens que vivem em territórios urbanos vulneráveis – ela está no 20º vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

“Qual é essa escola que os jovens pedem? É uma escola onde eles possam discutir política, questões de gênero, trazer elementos de várias culturas para conviver, uma escola realmente democrática”, afirma Lilian. “Então, se este projeto de lei [Escola Sem Partido] for aprovado, o que pode acontecer? Os jovens se desinteressarem ainda mais pela sua educação formal, pelo ensino médio. Acho que, o recado que os jovens dão, é um pouco esse. Eles querem uma escola mais plural, mais diversa, culturalmente poderosa e creio que o Escola Sem Partido vai reduzir estes horizontes”, completa.

A educadora aponta que uma das razões para a repercussão do projeto em uma parcela da sociedade é a possibilidade da intervenção dos pais na educação de seus filhos. De acordo com ela, no entanto, é preciso refletir melhor sobre esta participação, pois ela estaria sendo direcionada contra a ampliação de direitos.

“Uma das primeiras coisas para a gente pensar sobre o projeto Escola Sem Partido é sobre o que ele traz para a Educação. A gente precisa refletir melhor sobre a participação das comunidades na escola. Porque se a gente for pensar bem, a grande força deste projeto é mobilizar os pais para intervir na escola. Isto que a princípio poderia ser uma coisa boa, é direcionado contra a ampliação de direitos, por exemplo, das populações LGBT”, destaca.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Lilian L'Abbate Kelian, coordenadora do programa Jovens Urbanos do Cenpec

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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