#ESCOLADEMOCRÁTICA

Juliana Schimitt: 'sem análise crítica perdemos o mais interessante nas produções humanas'

Professora universitária nas áreas de Moda e História da Arte, autora do livro 'Mortes Vitorianas' está no 17º vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

“Na minha área específica, na moda, na arte, eu sequer consigo conceber o que seria uma aula neutra. O que eu deveria dizer? Passar imagens das obras, uma do lado da outra, com o nome de seus autores e a data em que elas foram feitas? Isso é o suficiente? Quer dizer, assim a gente perde tudo que é mais interessante das produções humanas, que é justamente os porquês, os ‘comos’, as motivações. Claro que, ao fazer isso, a gente faz uma análise crítica de tudo que está por trás destas produções.”

Professora nas áreas de Moda e História da Arte na Faculdade das Américas, na Faculdade Paulista de Artes e no Centro Universitário Belas Artes, Juliana Schmitt é doutora em Letras pela USP (Universidade de São Paulo). Mestra em Moda, Cultura e Arte pelo Senac e graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina, ela está no 17º vídeo da #EscolaDemocrática, série produzida pelo Painel Acadêmico.

“Como historiadora, é até curioso pensar que exista um discurso histórico neutro, sendo que na faculdade a gente aprende a tomar cuidado com os textos, verificar como eles foram escritos. No nosso estudo como historiador, isso sempre é verificado”, afirma. “Acho que se tem tanto medo assim dessas áreas do conhecimento que seriam mais favoráveis a certos discursos de esquerda ou direita, mas as faculdades mesmo preparam a gente para não tratar do conhecimento de forma neutra, porque isso não seria possível”, completa.

Autora do livro "Mortes Vitorianas - corpo, luto e vestuário", lançado pela Alameda Editorial (saiba mais aqui), ela destaca que mesmo temas pretensamente neutros, como o descobrimento do Brasil, ou até mesmo disciplinas de ciências exatas, são valorizadas por escolhas subjetivas.

“Talvez, para os autores desta proposta, falar sobre gênero seria uma discussão ideológica, mas falar sobre o descobrimento do Brasil não. Isso é uma grande bobagem. Só de a gente pensar na possibilidade de europeus esclarecidos descobrindo a América, trazendo a civilização. O que eles entendem como neutro também é uma ideologia”, destaca. “A matemática seria um conhecimento neutro? Não, pois a valorização da matemática na escola em detrimento de outras disciplinas já não é mais neutra, também já parte de uma ideologia”, ressalta.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Juliana Schmitt, professora de Moda e História da Arte

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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