#ESCOLADEMOCRÁTICA

Renan Quinalha: ‘a mais ideológica das ideologias é a que se diz neutra’

‘Escola Sem Partido é uma tentativa de acabar com uma escola que questione os preconceitos’. Advogado e ativista de Direitos Humanos está no 16º vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

“O Escola Sem Partido é uma tentativa de acabar com uma escola que questione os preconceitos, que combata desigualdades, que não naturalize as hierarquias e que forme pessoas com senso crítico. Não há neutralidade. E a mais ideológica das ideologias é a que se diz neutra.”

Mestre com distinção em Teoria Geral e Filosofia do Direito pela USP (Universidade de São Paulo), Renan Quinalha é, atualmente, doutorando em Relações Internacionais na mesma Universidade. Graduado em Direito e Ciências Sociais, o advogado e ativista de Direitos Humanos está no 16º vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

“O projeto Escola Sem Partido precisa ser lido em uma perspectiva histórica, porque já faz algum tempo que os setores conservadores, sobretudo religiosos fundamentalistas, têm tentado impor sua agenda e controlar os projetos educacionais no Brasil”, afirma Quinalha. “Em 2011, eles fizeram uma grande pressão que acabou com a possibilidade de distribuição do kit antihomofobia  nas escolas. Em 2015, eles pressionaram também os Legislativos e Executivos para que os planos de educação não incluíssem discussões de gênero e sexualidade”, continua.

Para o pesquisador, que também atuou como assessor na Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, no contexto político atual, o Escola Sem Partido é usado para promover o avanço de uma agenda moral conservadora útil aos setores que se mobilizaram para retirar Dilma Rousseff da presidência da República, com o objetivo de levar a cabo um projeto de poder que pretende retirar direitos por meio de um ajuste fiscal regressivo.

“Agora, em 2016, que a gente vive um golpe, que existe um projeto conservador de retirada de direitos por um ajuste fiscal regressivo, cobrança de mensalidades na educação pública e outros tipos de privatização, a gente também vê uma agenda moral conservadora desse golpe, com empoderamento destes setores”, afirma.  “É preciso combater esse projeto e não permitir que ele seja aprovado, mas mais do que isso, a gente precisa deslocar os termos deste debate e não permitir que os conservadores, religiosos e fundamentalistas pautem essa discussão. Definir o terreno da discussão já é uma maneira de enviesar as respostas e de limitar os termos do que é importante ser discutido hoje. E há muito da Educação que é mais importante discutir do que esse projeto bizarro de Escola Sem Partido”, conclui.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Renan Quinalha, advogado e ativista de Direitos Humanos

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

Desde que foi criado, em março de 2015, o Painel Acadêmico só cresceu. Enfrentando diversas dificuldades, conquistamos todos os dias novos leitores com nossa produção jornalística independente e linha editorial de permanente defesa do acesso ao conhecimento de qualidade para todos os brasileiros. Para seguir com a missão não só de informar sobre os principais acontecimentos na área, mas sobretudo de diminuir a distância entre a produção acadêmica e o grande público, precisamos da sua ajuda.
Saiba como apoiar nosso projeto jornalístico independente sobre Educação.
Quem contribui ganha livros e descontos:

Destaques