#ESCOLADEMOCRÁTICA

Mauro de Salles Aguiar: ‘projetos do Escola Sem Partido, se aprovados, serão a destruição da Educação’

‘A escola tem o papel fundamental de formar o pensamento crítico.’ Diretor do Colégio Bandeirantes está no 15º vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

“Os projetos da Escola Sem Partido, se aprovados, nos termos em que estão colocados, serão a destruição da Educação e da escola. Porque a escola tem o papel fundamental de formar o pensamento crítico. E a escola é exatamente o principal local onde a criança e o jovem saem da influência da família e dos amigos próximos e passam a conviver com a sociedade, com as contradições da sociedade, com o diferente, com o diverso.”

Considerado uma das melhores e mais tradicionais escolas de ensino básico do país, o Colégio Bandeirantes conta com nomes de peso entre seus egressos. O cardiologista Adib Jatene, o ex-governador Mário Covas e o neurocientista Miguel Nicolelis são apenas alguns dos ilustres ex-alunos da escola que, atualmente, conta com 2,6 mil estudantes, 156 professores e 112 funcionários.

Graduado em Administração de Empresas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e formado em Gestão Avançada no programa da Fundação Dom Cabral e do Insead (European Institute of Businnes Administrator), no campus de Fontainebleau (França), Mauro de Salles Aguiar é diretor do Colégio Bandeirantes há 37 anos. Membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo por seis mandatos, ele está no 15º vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

“É absolutamente fundamental que a escola e o professor tenham a total liberdade de ensinar. As pessoas que defendem o projeto, aquelas que são bem intencionadas, desconhecem o que é o adolescente no século 21. Ele não é tão influenciável assim. Se acontecer de ele ter um professor marxista, ele terá outros professores que não têm convicção marxista. E é importante ele ser exposto a convicções diferentes, para formar o pensamento crítico dentro de um clima de liberdade, de uma discussão típica de verdadeiras e maduras democracias”, afirma Salles.

O posicionamento do diretor do Bandeirantes vai além de uma opinião pessoal. O Colégio é um dos integrantes da Abepar (Associação Brasileira das Escolas Particulares). No início de julho, a entidade, que reúne outros colégios tradicionais como Santa Cruz, Móbile, Pentágono e Mackenzie, se manifestou publicamente contra o movimento Escola Sem Partido e defendeu o "diálogo em vez da proibição".

A postura institucional do Bandeirantes acabou chamando a atenção dos militantes do Escola Sem Partido que, no dia 11 de agosto, promoveram um ato na porta do Colégio, localizado na zona sul de São Paulo. A manifestação, que contou com faixas, panfletos e uma bateria de instrumentos de percussão, não agradou alunos e professores, que contestaram o protesto.

No dia seguinte ao ocorrido, os próprios estudantes do Bandeirantes organizaram uma manifestação contra o Escola Sem Partido.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Mauro de Salles Aguiar, diretor-presidente do Colégio Bandeirantes

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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