#ESCOLADEMOCRÁTICA

Matsuel Martins da Silva: ‘educação sem conscientização nos levará a um ensino estéril e inútil’

‘O risco que a gente tem é de criar ‘não cidadãos’’. Professor universitário há 35 anos na área de Serviço Social está no décimo segundo vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

“Nós não podemos ter uma Escola Sem Partido. Nós correríamos o risco de transformar o ensino apenas em algo técnico, preocupado com rankings e produtividade. Isso levará as universidades, como já tem levado, a concorrer apenas uma com a outra e não a formar um cidadão que dê conta de assumir sua vida e seu destino em suas mãos.”

Professor universitário há 35 anos na área de Serviço Social, Matsuel Martins da Silva acredita que uma educação que não tome o partido da conscientização conduzirá as instituições à reprodução de um ensino estéril, inútil.

Mestre em Serviço Social pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), três vezes coordenador de seccionais do CRESS-SP (Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo) e atualmente professor da UniLins (Centro Universitário de Lins), no interior de São Paulo, ele está no décimo segundo vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

“O risco que a gente tem é de criar ‘não cidadãos’. Uma educação que não permita que você tome o partido da conscientização, que você possa discutir, de fato, as dinâmicas das relações sociais, vai nos levar a um ensino estéril, inútil, a um ensino que só poderá criar, de fato, o que a gente chama de soldadinhos do capitalismo”, afirma Silva.

Com experiência acadêmica, na direção de faculdade e coordenação de cursos de serviço social, e sindical, onde atuou e atua em movimentos operários, o professor lembra do ensino fechado reproduzido pelas escolas na época da ditadura militar e destaca a importância da educação para a organização dos trabalhadores.

“No regime militar, a educação formada e fechada no ensino médio e básico da época, levava a um tecnicismo absoluto e a uma ausência de qualquer possibilidade de pensamento crítico, o que destruiu a possibilidade do crescimento social, da crítica e do pensamento do cidadão”, afirma. “Professores, alunos e todas as pessoas envolvidas no ensino têm a obrigação de tomar um posicionamento contrário a este tipo de situação. Isto significa, também, a destruição da própria vontade e da vitalidade que os trabalhadores têm que ter para tomar seus destinos na mão e construir uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais humana e mais completa”, completa. 

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Matsuel Martins da Silva, professor universitário de Serviço Social

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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