#ESCOLADEMOCRÁTICA

Silvio Barrini Pinto: ‘judicialização da escola acaba com as relações sociais e o diálogo’

‘Quero professores tendo a franqueza de poder se colocar diante do conhecimento e da sua própria postura’, afirma diretor do Colégio São Domingos no nono vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

A criação de um canal de comunicação que interligará pais, alunos e secretarias estaduais e municipais de Educação para facilitar a denúncia de professores que emitirem opiniões sobre política, ideologia ou religião dentro de sala de aula. Este é um dos pontos mais controversos defendido pelo movimento Escola Sem Partido.

“Isso abre um espaço danoso para as relações sociais, de judicialização. Então, a partir do momento em que se começa a acusar o professor X ou Y, isso vira um campo de ações judiciais e acaba com as relações sociais, com o diálogo”, afirma Silvio Barrini Pinto, diretor do São Domingos, considerado um dos melhores colégios da cidade de São Paulo.

Mestre em História Social pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Barrini atua como professor desde 1981 e já deu aulas de História Contemporânea e História da Arte na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e na Escola da Cidade (Arquitetura). Desde 1993, atua na gestão pedagógica de escolas particulares e presta consultoria para o MEC (Ministério da Educação) e para a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo desde 1996.

Especialista em Educação e Tecnologia na França, onde foi orientado diretamente por Pierre Levy, Barrini está no nono vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

“Existe um mito que as crianças, ouvindo as opiniões dos professores, se transformam naquilo que o professor é. Isso é dar muito pouco crédito à inteligência e capacidade das crianças, especialmente em um mundo em que elas têm acesso a diversos outros canais que não a escola. A escola não é o único provedor, felizmente”, afirma o diretor do São Domingos.

A “doutrinação” dos alunos pelos professores é apontada pelos militantes do Escola Sem Partido como um dos principais problemas da Educação brasileira. A solução apontada pelo movimento, no entanto, é que os professores sejam proibidos de se posicionar sobre questões políticas dentro da escola. A medida é apontada por muitos especialistas como uma “Lei da Mordaça”.

“A estratégia de marketing para essa medida é colocar Escola Sem Partido, ao invés de escola sem ideologia. Porque sem partido todo mundo quer. Eu também quero uma escola sem partido, não quero uma escola de partido aqui. Agora, eu quero os professores tendo a franqueza de poder se colocar diante do conhecimento e da sua própria postura”, destaca Barrini. “Há um princípio grego, parrésia, que é da franqueza. Eu só posso atingir o outro se eu, de verdade, me coloco francamente diante do conhecimento”, completa.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Silvio Barrini Pinto, diretor do Colégio São Domingos

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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