#ESCOLADEMOCRÁTICA

Cleber Santos Vieira: ‘escola deve aceitar manifestação plural do pensamento, inclusive político’

‘Defendo uma escola que aceite o direito à memória e à verdade como eixo estruturante da cidadania’. Professor da Unifesp e especialista em História da Educação está no oitavo vídeo de série produzida pelo Painel Acadêmico

No final do ano passado, um movimento organizado por estudantes secundaristas conseguiu evitar o fechamento de escolas públicas estaduais de São Paulo. Com ocupações de centenas de escolas públicas, os alunos conseguiram barrar a Reorganização Escolar, medida planejada pelo governo de Geraldo Alckmin que previa o fechamento de salas de aula da rede estadual de ensino e o remanejamento de estudantes para outras unidades.

A vitória dos estudantes paulistas culminou não apenas na suspensão do projeto e na consequente queda do então Secretário Estadual de Educação, o engenheiro Herman Vorwaald, mas inspiraram a realização de movimentos similares em outros estados do Brasil, como Rio de Janeiro e Goiás.

Apesar disso, um outro movimento acredita que a política na escola é um dos maiores problemas atualmente na educação brasileira. Em defesa da neutralidade do ensino, os militantes do Escola Sem Partido defendem que, para evitar a doutrinação dos alunos, professores devem ser impedidos de emitir opiniões sobre política, ideologia e religião dentro de sala de aula. O projeto prevê, inclusive, a criação de canais de denúncias para o Ministério Público de docentes que não seguirem a orientação.

“A escola pública que eu defendo deve ser plural, democrática, gratuita, laica e de qualidade. Defendo uma escola que aceite o direito à memória e à verdade como eixo estruturante da cidadania. Que aceite a pluralidade religiosa de manifestação do pensamento, inclusive do pensamento político”, afirma Cleber Santos Vieira, professor do departamento de Educação da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Mestre em História pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e doutor em Educação pela USP (Universidade de São Paulo), Vieira é especialista em História da Educação no Brasil Republicano. O acadêmico está no oitavo vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

Pesquisador com experiência em temas como história dos livros escolares e educação cívica, Cleber Vieira Santos classifica a organização dos estudantes secundaristas como uma “aula de democracia”. De acordo com ele, o movimento é uma parte importante para a formação das futuras gerações de dirigentes que conduzirão o país.

“É verdade que ela [Escola Sem Partido] vai de encontro a manifestações recentes do estudantes, que estão dando verdadeira aula de democracia. Ocupar, divergir de projetos estatais, conscientizar outros colegas, inclusive politizar o ambiente escolar, é parte da democracia, é parte da cidadania, parte da formação das futuras gerações que serão nossos dirigentes, professores e profissionais que cuidarão da nossa democracia, do nosso Brasil”, afirma Vieira.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Cléber Vieira Santos, professor da Unifesp e especialista em história da educação no Brasil republicano

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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