#ESCOLADEMOCRÁTICA

Bruno Paes Manso: 'educação é um processo dialético de confrontar a verdade e contestar'

Doutor em Ciência Política, economista, jornalista e pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP, Manso está no sétimo vídeo da série produzida pelo Painel Acadêmico

Em fevereiro, foi notícia no Painel Acadêmico um relatório divulgado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no qual a entidade internacional indicou que, ao lado de Alemanha, Itália, México e Portugal, o Brasil estava entre os países que mais reduziram o número de estudantes na faixa de 15 anos com baixo rendimento em matemática no período entre os anos de 2003 e 2012.

O documento, que ressaltou que o baixo rendimento dos alunos aumenta o risco de abandono escolar e menor participação na política, também destacou que, apesar da evolução, os índices brasileiros ainda estão longe de um patamar para ser comemorado. Segundo o último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgado em 2013, o país ocupa apenas a 58ª posição, em um ranking de 65 países, quando o assunto é o desempenho em matemática.

No relatório, a OCDE aposta que a oferta de atividades diferenciadas, fora do lugar-comum, para alunos com dificuldades é uma das maneiras de driblar o problema.

A alternativa proposta pela organização internacional é diferente das medidas defendidas pelo movimento Escola Sem Partido. Também preocupados com o desempenho dos jovens em matemática, os militantes afirmam que as escolas deveriam ter mais atenção nesta disciplina ao invés de matérias como Sociologia e Filosofia, principalmente nas aulas para alunos mais jovens.  Preocupado com a “neutralidade” do ensino, o projeto propõe que professores não emitam opiniões sobre política, ideologia e religião dentro de sala de aula.

“Tem um monte de coisa acontecendo no Brasil e no mundo, o Brasil está péssimo em matemática, tem um monte de assunto surgindo, desde o projeto Genoma até Neurociência, um monte de coisa aparecendo e a gente tendo que enfrentar este desafio. E aparece essa discussão sobre o Escola Sem Partido. É mais ou menos como você ter um médico que está diagnosticando alguém com câncer e se preocupando com a unha encravada”, afirma o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso, no sétimo vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

Fundador da Ponte Jornalismo, mestre e doutor em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo), Manso é vinculado do NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência), onde atualmente trabalha em seu projeto de pós-doutorado com o desenvolvimento de pesquisas sobre homicídios, confiança institucional e legitimidade.

Graduado em Economia pela FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração) e Jornalismo pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), ele acredita que a educação é um processo dialético no qual o debate de ideias e a reflexão dos alunos são fundamentais.

“Acima de tudo, a educação é um processo de busca, de dar porrada em ponta de faca para buscar. É um processo dialético, de você confrontar uma verdade, de contestar o tempo inteiro”, afirma. “Não é algo que alguém te diz e você assimila como se fosse um pastor lendo uma Bíblia e colocando algo na sua cabeça. É um processo e o debate faz parte da educação”, completa.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.


Bruno Paes Manso, jornalista, economista, doutor em Ciência Política e pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos no último dia 18 a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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