#ESCOLADEMOCRÁTICA

Esther Solano: 'uma escola sem partido só formará massa de manobra'

'Uma Escola Sem Partido, sem ideias, sem crítica, sem pensamento livre e sem debate é uma escola morta', afirmou a professora de Relações Internacionais da Unifesp; ela está no 3º vídeo da série Escola Democrática

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

Apesar do texto acima, que corresponde ao artigo 205 da Constituição Federal, muitos brasileiros ainda acreditam que a escola deve ser apenas um espaço para transmissão de dados, como fórmulas matemáticas ou regras para conjugação correta de determinado verbo.

“Uma escola é espaço para as diversas ideologias, manifestações políticas, ideias e formas de ver o mundo. Desde as mais humanas, para reproduzi-las e fortalece-las, até as mais desumanas, para combatê-las com argumentos”, afirma Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Isto não é o que defende, no entanto, o projeto Escola Sem Partido. Em nome da suposta neutralidade no ensino, o movimento afirma que os jovens não tem maturidade para lidar com questões de gênero, por exemplo, e defende que o tema não seja abordado em sala de aula. Além disso, defende também que professores não emitam ou incentivem a reflexão e formação de opiniões sobre política.

“Uma Escola Sem Partido só vai formar massa de manobra, operadores para o mercado de trabalho, consumidores. Pessoas que reproduzam um sistema claramente injusto e selvagem como o sistema de trabalho e consumo do mundo capitalista”, afirma Solano. “Uma Escola Sem Partido, sem ideias, sem crítica, sem pensamento livre e sem debate é uma escola morta. E uma escola que só beneficia aqueles que querem o retrocesso”, completa a professora.

Nascida na Espanha, onde foi professora da Universidade Complutanense de Madrid, Esther Solano já atuou como docente na Uniderp (Universidade para o desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), na UFU (Universidade Federal de Uberlândia) e, desde 2013, é professora com dedicação exclusiva da Unifesp.

Doutora em Ciências Sociais e pesquisadora com experiência em estudos sobre movimentos sociais e conflitos urbanos, ela está no terceiro vídeo da série #EscolaDemocrática, produzida pelo Painel Acadêmico.

“O projeto Escola Sem Partido é, sem dúvida nenhuma, uma aberração política. Só beneficia aqueles que são os donos do status quo, os donos do Poder, aqueles que são privilegiados por uma ordem de coisas injustas. Aqueles, para os quais, a mudança é uma ameaça”, destaca Solano.

#EscolaDemocrática

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.

Para explicar como isso pode acontecer, iniciamos na última quinta-feira (18/8) a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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