#ESCOLADEMOCRÁTICA

Flávia Biroli: 'ideológico é fazer de conta ser neutro enquanto se é cúmplice'

'Sou contra as leis da mordaça' afirmou a professora da UnB; uma das principais referências em estudos de gênero no país, ela está no segundo vídeo da série #EscolaDemocrática

As brasileiras estão entre as mulheres do mundo que mais devem temer por suas vidas. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o país ocupa a preocupante quinta posição no ranking mundial de feminicídios, com uma taxa de assassinatos motivados por questões de gênero de 4,8 para 100 mil mulheres.

Apesar dos dados extremamente alarmantes, é possível que os jovens brasileiros nunca tenham conhecimento sobre estes números. Ao menos não na escola. Isto porque um dos pontos mais polêmicos defendido pelo Escola Sem Partido é justamente impedir que questões de gênero sejam abordados por alunos e professores dentro de sala de aula.

“Deixar de discutir gênero significa fazer de conta que não existe violência, assédio, discriminação. O que queremos? Pessoas que se acomodem a padrões violentos ou pessoas que pensem sobre eles e revejam seus costumes e valores?”, pergunta a historiadora Flávia Biroli.

Professora titular do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília), onde também coordena o Demodê (Grupo de Pesquisa sobre Democracias e Desigualdades), Biroli é uma das principais referências acadêmicas em estudos sobre gênero no Brasil.

“Este mundo é imperfeito e está em constante transformação. Deixar de lado críticas e valores significa fazer de conta que tudo está definido e que não há problemas no modo como vivemos e nos relacionamos”, afirma Biroli. “Isto é que é ideológico. Fazer de conta que se é neutro enquanto se é acomodado e cúmplice. Eu sou contra as leis da mordaça, porque defendo a democracia, valorizo a educação e respeito as crianças e jovens brasileiros”, completa a professora.

#EscolaDemocrática

O depoimento da pesquisadora (assista acima) é o segundo da #EscolaDemocrática,  série de vídeos produzida pelo Painel Acadêmico.

O site Painel Acadêmico acredita que o Escola Sem Partido – que mistura uma ação militante na sociedade com a apresentação por parlamentares em níveis municipais, estaduais e federal de projetos de lei com conteúdos semelhantes –, longe de trazer equilíbrio para a sala de aula, levará a um progressivo encolhimento do espaço de conhecer e aprender.

Para explicar como isso pode acontecer, o Painel Acadêmico inicia nesta quinta-feira (18/8) a publicação de depoimentos de diferentes atores do espaço escolar e acadêmico sobre o projeto.

Nos próximos dias, continuaremos com a divulgação dos vídeos, abordando diferentes posições. Como se poderá constatar, o contrário da Escola Sem Partido não é a “escola com partido”.  É a #EscolaDemocrática. Por ela pautamos nossa atuação e nossa cobertura jornalística. Ela é que garante que a escola seja o palco de um dos mais importantes aprendizados para o livre debate das ideias, o aprendizado do debate e da convivência – sem imposições, sem censura, sem terror.

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