SÃO PAULO

Alunos do Bandeirantes respondem 'provocação' e protestam contra Escola Sem Partido

Manifestação realizada por estudantes nesta sexta (12/8) acontece um dia depois de ato promovido pelo movimento na porta da escola; colégio já se posicionou institucionalmente contra o projeto

Na manhã desta sexta-feira (12/8), estudantes do Colégio Bandeirantes realizaram um protesto contra o movimento Escola Sem Partido. Com cartazes que destacavam palavras de ordem como “A verdade é dura, Escola Sem Partido é ditadura” e “O professor é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”, cerca de 100 alunos se concentraram durante o horário do intervalo em frente ao portão principal da escola, considerada uma das mais tradicionais da cidade de São Paulo.


Cerca de 100 alunos do Bandeirantes participaram de protesto contra o Escola Sem Partido

Além de marcar a posição contrária dos alunos em relação ao projeto, a manifestação de hoje, organizada por alunos do 3º ano, foi motivada pelo ato promovido por militantes do Escola Sem Partido nesta quinta-feira (11/8), também em frente ao Bandeirantes.

No início da tarde de ontem, apoiadores do projeto levaram faixas, panfletos e instrumentos de percussão não só para promover o movimento, mas principalmente como resposta ao posicionamento do Colégio, que já se manifestou institucionalmente contra o Escola Sem Partido. Relatos dão conta que o barulho promovido pelo protesto pôde ser ouvido dentro das salas de aula.

“A gente entendeu que foi uma provocação mais ao Mauro [diretor do Bandeirantes] e ao Colégio, mas queríamos que eles soubessem que os alunos também são contra o Escola Sem Partido”, afirmou Gabriela Lopes*, uma das alunas responsáveis pela organização do ato de hoje.


Cartaz produzido pelos alunos do Colégio Bandeirante contra o Escola Sem Partido

Na semana passada, Mauro de Salles Aguiar, diretor-presidente do Bandeirantes participou de um debate organizado pela Folha de S. Paulo com a presença de Miguel Nagib, fundador do movimento. Na plateia, apoiadores do projeto chegaram a impedir, com gritos, que Aguiar iniciasse sua exposição crítica contrária ao movimento.

Os militantes do Escola Sem Partido já haviam sido rejeitados pelos alunos ontem. Os estudantes não aprovaram a manifestação promovida na porta da escola. O ponto mais questionado pelos jovens foi a proibição de aulas sobre gênero, medida defendida pelo movimento.

“[A manifestação do Escola Sem Partido] gerou muita indignação, porque os alunos não esperavam que isso acontecesse. É quase um consenso que esse projeto não pode passar. Agora é esperar um pouco, para ver qual é a repercussão disso. E, provavelmente, se eles voltarem, acho que a gente vai se manifestar de novo”, afirmou Gabriela*.

(*) Nome fictício para preservar a identidade da estudante.

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