ESCOLA SEM PARTIDO

Para ministro da Educação, não há como aplicar propostas defendidas pelo ‘Escola sem Partido’

Em entrevista, Mendonça Filho afirmou que debate é legítimo, mas vê problemas nas diretrizes do movimento

Projetos de lei inspirados no movimento "Escola sem Partido", que diz representar pais e estudantes contrários ao que chamam de “doutrinação ideológica” nas salas de aula brasileiras, foram o tema de recente entrevista do ministro da Educação Mendonça Filho ao portal de notícias G1. O ministro defendeu a possibilidade dessas leis serem debatidas em âmbito Legislativo, apesar de ser contrário às diretrizes apresentadas pelo grupo.

“Acho que o debate é salutar para a sociedade e para o Congresso Nacional. Eu já expressei a minha opinião da dificuldade, da quase impossibilidade de aplicabilidade de uma medida como essa.”, afirmou Mendonça Filho.

Na entrevista, o ministro reconheceu a necessidade de um debate amplo e inclusivo sobre as diretrizes da educação no Brasil, mas ressaltou que o mote “Escola sem Partido” não resolve a questão. “Minha posição é trabalhar por uma educação de qualidade, plural e que ofereça ao aluno a oportunidade de ter ampla visão de mundo e a acesso as diversas matizes do conhecimento, desenvolvendo senso crítico.”, disse.

“Eu, inclusive, desconheço qualquer país do mundo que tenha legislação específica para controlar posicionamento dentro da sala de aula.”, completou o ministro.

Ex-governador de Pernambuco disse que o tema não foi debatido dentro do governo interino, e que não sabe antecipar o eventual posicionamento do presidente em exercício Michel Temer caso as leis fossem aprovadas. “No momento adequado, certamente o presidente terá a sabedoria política de se posicionar, tendo em vista o interesse geral de uma boa educação e de conceitos como pluralidade, liberdade e preservação do direito do estudante de conhecer todos pontos de vista históricos e ideológicos.”, relatou Mendonça Filho.

Apesar de reconhecer qua há problemas com a proposta, o ministro afirmou que os holofotes sobre a educação podem gerar “uma maior maturidade dos formadores de opinião e daqueles que querem uma escola melhor, no sentido de sedimentar conceitos como pluralidade, amplitude e liberdade, e não cerceamento e censura.”

Por fim, Mendonça Filho disse também ser contrário a tentativa do movimento "Escola Sem Partido", já arquivada na Justiça, de modificar as regras da prova de redação do Enem, para retirar a obrigatoriedade de os candidatos incluírem na dissertação uma proposta de intervenção social que não vá contra os direitos humanos. “A bandeira da educação deve ser estritamente técnica, acima de qualquer disputa política, ideológica ou partidária”, concluiu.

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