PÓS-GRADUAÇÃO

Número de doutores no Brasil cresceu quase 500% em 18 anos

Apesar de dados positivos em comparação com passado, país ainda está longe de potências como Reino Unido, EUA e Japão

Entre os anos de 1996 e 2014, o número de títulos de mestrado e doutorado no Brasil aumentou, respectivamente, 379% e 486%. Os dados foram levantados em estudo do CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos), órgão ligado ao Ministério da Ciência, e divulgados nesta terça-feira (5/7) durante a 68ª Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que acontece no campus de Porto Seguro da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia).

De acordo com a pesquisa, em 2014 as universidades do país concederam 50,2 mil títulos de mestre e 16,7 mil de doutor. Em 1996, os números foram de 10,4 mil e 2,8 mil, respectivamente.

Apesar dos dados impressionantes, o Brasil ainda registra números muito inferiores quando comparado a outros países. No ranking da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país ocupa a antepenúltima colocação, na frente apenas de México e Chile.

Segundo o levantamento da CGEE, em 2013 o Brasil atingiu a marca de 7,6 doutores para cada 100 mil habitantes, muito abaixo de Reino Unido (41), Estados Unidos (20) e Japão (13).

Desconcentração

O crescimento foi registrado principalmente fora do eixo Rio-São Paulo. Em 1996, os dois estados mais ricos do país concederam 58% dos títulos de mestre e 83% dos títulos de doutores. Os números caíram, respectivamente, para 37% e 49% em 2014.

Os números revelam uma tendência de desconcentração da pós-graduação no Brasil, principalmente pelo aumento de mestres e doutores formados fora da região Sudeste. Os estados de Goiás, Ceará, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Paraíba ganharam destaque na área concentrando, cada um, 2% do total de mestres e doutores brasileiros.

Proporcionalmente, quando comparados o número de títulos concedidos com o tamanho da população local, Distrito Federal e Rio Grande do Sul lideram o ranking interno da pós-graduação no país.

Segundo o diretor do CGEE, Antônio Galvão, a pulverização dos programas de mestrado e doutorado criou as condições necessárias para o desenvolvimento de outras regiões.

"Quando se muda isso, muda-se a qualidade dos empregos das pessoas, porque eles [pós-graduados, mestres e doutores] vão fazer tarefas mais complexas, ter atividades e empreendimentos de maior densidade técnico-científica, que remuneram melhor, que pagam melhores salários. Todo o processo de desenvolvimento real é baseado em conhecimento. Este é o grande segredo, e é o que a pesquisa está mostrando", afirmou.

Mercado de trabalho

O estudo mostra também que o mercado de trabalho está mais favorável para mestres e doutores. De acordo com os dados da pesquisa, de 2009 a 2014, o total de mestres empregados foi 66% e o de doutores, 75%, bem acima da taxa de ocupação da população, que está em 53%, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Ainda de acordo com o levantamento, houve um aumento da inserção de mestres e doutores em entidades empresariais de segmentos de alta tecnologia, passando de 18%, em 2010, para 24%, em 2014.

“Isso reflete uma maturidade dessas empresas no reconhecimento da importância de ter em seus quadros mão de obra altamente qualificada capaz de contribuir para atividades inovadoras em setores como o da fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos; de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos; e aeronáutica”, ressalta a coordenadora do estudo, Sofia Daher

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