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'Asneira sem tamanho de uma direita delirante', diz Karnal sobre Escola Sem Partido

Professor da Unicamp, historiador afirmou que jovens não são massa de manobra e que não existem escolas sem ideologia

Historiador e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Leandro Karnal afirmou que o projeto Escola Sem Partido, que pretende proibir professores de falar sobre política dentro de sala de aula, é uma ‘ideia absurda’ de pessoas que não são formadas na área da Educação. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (4/7) ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Karnal classificou a proposta como uma “asneira sem tamanho”.

Assista o vídeo com o professor:

“O Escola Sem Partido é uma asneira sem tamanho, é uma bobagem conservadora, é coisa de gente que não é formada na área e que decide ter uma ideia absurda que é substituir o que eles imaginam que seja uma ideologia em sala de aula por outra ideologia, que é uma ideologia conservadora”, disse.

Especialista em História da América, o professor afirmou que todos os fatos históricos aconteceram por opções políticas e lembrou que eles devem ser analisados sempre dentro deste contexto.

Foto: Reprodução/ TV Brasil

Leandro Karnal: 'não existe escola sem ideologia'

“Como eu já desafiei algumas pessoas, me diga um fato histórico que você vai dar que não tenho opção política. Cortaram a cabeça de Luís XVI, 21 de janeiro de 1793. Cortaram a cabeça de Antonieta, 16 de outubro de 1793. Nós vamos dizer, ‘que pena, coitados dos reis’? Ou vamos analisar como um processo de violência típico da revolução e assim adiante?”, perguntou, em tom irônico.

Karnal disse ainda que os alunos não podem ser considerados simples massa de manobra e que os jovens têm autonomia para ouvirem os professores e formarem suas próprias opiniões.

“Não existe escola sem ideologia. Seria muito bom que um professor não impusesse apenas uma ideologia, e que abrisse caminho sempre para o debate. Mas é uma crença fantasiosa, de uma direita delirante e absolutamente estúpida de que a escola forma a cabeça das pessoas e de que estes jovens saem líderes sindicais”, disse. “A demonização da política é a pior herança desta ditadura militar que, além de matar seres humanos, ainda provocou na educação um dano que vai se arrastar por mais algumas décadas”, completou.

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