VIOLÊNCIA

Emboscada pode ser retaliação a protestos contra Globo, CBF e fraude da merenda, diz Gaviões da Fiel

Dirigentes da organizada foram atacados com barras de ferro; torcida do São Paulo manifesta solidariedade e nega participação

Em nota oficial, a Gaviões da Fiel sugeriu que a emboscada feita a diretores da torcida podem estar relacionadas aos protestos realizados pela organizada contra a Rede Globo, CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), investigado no esquema de fraude na compra de merenda para escolas estaduais de São Paulo. Segundo o texto, a entidade desconfia da hipótese de um ataque realizado por outra torcida.

"Os motivos para tal desconfiança não deve ser mistério para ninguém. Assumimos uma declarada guerra ideológica com setores da sociedade que, apoiados no conservadorismo, não estão acostumados com a contestação”, afirma a nota.

O caso aconteceu na última quarta-feira (2/3), logo após os corinthianos deixarem uma reunião com o promotor Paulo Castilho e representantes de outras duas torcidas organizadas do São Paulo.

Rodrigo de Azevedo Lopes e Cristiano de Morais Souza, respectivamente presidente e primeiro-secretário da Gaviões, foram atacados no estacionamento de um supermercado localizado em frente ao Complexo Judiciário Ministro Mário Magalhães, na região da Barra Funda, onde aconteceu o encontro com Castilho e os são-paulinos.

Com barras de  ferro e pedaços de madeira, três homens atacaram os torcedores no momento em que eles entravam no estacionamento. A agressão deixou Rodrigo com um braço quebrado e Cristiano com ferimentos do rosto e um dedo quebrado.

Na nota sobre o caso, a torcida lembra que, logo após sua fundação, no ano de 1969, membros da organizada também foram atacados por capangas após protestos contra Wadih Helú, ex-presidente do Corinthians alinhado ao regime militar.

“Se em 1969, quando fomos fundados travando uma luta contra Wadih Helú, ex-presidente compromissado com a ditadura militar, fomos repreendidos por capangas, não nos espantaria se a tentativa de repressão fosse implementada novamente, nos tempos atuais”, diz o texto.

Quem vai punir o ladrão de merenda?

Desde o último mês, a Gaviões da Fiel tem exibido faixas de protesto durante jogos do Corinthians. “Globo manipuladora”, “Futebol refém da Globo” e “CBF a vergonha do futebol” são algumas das frases exibidas nos cartazes.

Além destas reivindicações, a torcida também tem chamado a atenção para as investigações sobre o esquema montado para fraudar a compra de merenda para escolas públicas paulistas.

Neste caso, o alvo principal dos protestos é o deputado estadual Fernando Capez, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. O tucano é apontado como um dos responsáveis por conseguir a liberação de contratos superfaturados na Secretaria Estadual de Educação.

“Quem vai punir o ladrão de merenda?” e “CPI da merenda já” foram algumas das faixas exibidas contra Capez. Além disso, uma campanha de arrecadação de alimentos para serem doados a escolas afetadas pela fraude foi lançada no dia 17 de fevereiro.

Ex-promotor do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), Capez ganhou notoriedade pública após encampar um movimento que tentou extinguir torcidas organizadas de São Paulo em meados dos anos 90.

Luta continua

Em nota divulgada nesta sexta-feira (4/3), a Torcida Independente, maior organizada do São Paulo, lamentou e manifestou solidariedade ao dirigentes da Gaviões atacados pelos agressores.

“A Torcida Independente vem expressar solidariedade e lamentar profundamente o ocorrido com o presidente e primeiro-secretário da Gaviões da Fiel, Rodrigo (Diguinho) e Cristiano (Cris). Apesar da rivalidade histórica de décadas, temos ideais comuns pelos nossos respectivos times e lutas sociais semelhantes, no combate à péssima (des)organização do futebol brasileiro, com consequências deploráveis e gritantes na grande massa”, afirmou o texto são-paulino.

Os tricolores negaram qualquer envolvimento com as agressões, classificadas como covardes.

A Gaviões da Fiel, por sua vez, reafirmou o compromisso com as reivindicações levantadas até o momento e disse que não aceitará intimidações morais ou físicas.

“Aos torcedores (todos eles), deixamos claro que nossa luta continuará, custe o que custar, pois se nossa história não foi interrompida nos tempos obscuros de pau de arara, não será interrompida nos tempos de mídia independente e democracia de informação”, defendeu o texto.

Leia abaixo a íntegra da nota da torcida corinthiana:

NOTA OFICIAL:

Na tarde da última quarta-feira (2), o presidente e o primeiro secretário dos Gaviões da Fiel foram atacados covardemente, logo após uma reunião com o promotor Paulo Castilho no fórum da Barra Funda. Além dos Gaviões, outras duas torcidas de São Paulo também estavam presentes.

O fato ocorreu no estacionamento de um supermercado, em frente ao Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães. Rodrigo Fonseca quebrou o braço, enquanto Cristiano teve o rosto levemente ralado e o dedo indicador quebrado. Apesar disso, os dois passam bem.

E embora a imprensa e o próprio promotor Paulo Castilho estejam sugerindo um ataque realizado por outra torcida, desconfiamos de tal hipótese.

Se em 1969, quando fomos fundados travando uma luta contra Wadih Helú, ex-presidente compromissado com a ditadura militar, fomos repreendidos por capangas, não nos espantaria se a tentativa de repressão fosse implementada novamente, nos tempos atuais.

A quem possa interessar, os Gaviões da Fiel Torcida reafirmam seu compromisso com a luta em prol de um futebol verdadeiramente popular, não aceitando, de forma alguma, qualquer tipo de intimidação moral ou até mesmo física, caso seja esse o caso.

Às autoridades, nos colocamos (como sempre) à disposição dos devidos esclarecimentos sobre os eventos recentes.

Aos torcedores (todos eles), deixamos claro que nossa luta continuará, custe o que custar, pois se nossa história não foi interrompida nos tempos obscuros de pau de arara, não será interrompida nos tempos de mídia independente e democracia de informação.

Contra todo ditador que no futebol quiser mandar, os Gaviões continuarão a reivindicar.

// GAVIÕES DA FIEL TORCIDA - FORÇA INDEPENDENTE \\

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