OPINIÃO

Folha, 95 anos: quem nunca "erramos" que atire a primeira pedra

Todos os dias, os jornalistas impedem, de última hora, que muitos erros cheguem aos leitores

Li alguma coisa do caderno especial da Folha e, claro, me diverti com os Erramos. Não tem nenhum meu na lista, mas acompanhei alguns casos de perto. Por exemplo, o do famoso Jesus Cristo enforcado (que todo mundo lembra) - que tinha um adendo, que era atribuir a frase "No princípio era o verbo" ao Gênesis, e não ao Evangelho Segundo São João.

O erro foi cometido por um colega, Daniel Piza, e foi notado na redação da Ilustrada, pelo menos publicamente, primeiro pelo Celso Fioravante, quando o caderno anotado pelo controle de erros (pegava sobretudo erros de ortografia) chegou.

Celso virou pra mim e falou: "Olha isso."

Bom, de minha parte, acho que o erro é cômico, mas perdoável. Evidentemente, Piza não errou por ignorância, mas cometeu um ato falho.

A segunda coisa que queria registrar é que, todos os dias, os jornalistas impedem, de última hora, que muitos erros cheguem aos leitores. O erro que Piza cometeu atribuindo ao Gênesis texto do Evangelho Segundo São João foi reproduzido, ipsis literis, por Alberto Dines numa e suas colunas. Outro que não errava por ignorância, mas por uma associação lógica equivocada (o Gênesis é o princípio da Bíblia, e essa frase imediatamente remete à criação do mundo, certo?).

Eu, que fechava a coluna de Dines, peguei o erro, avisei-o e ele, gentilmente, agradeceu.

A melhor história, neste caso, é da Marcia Benetti. A redatora gaúcha estava num final de semana fechando a primeira página quando quase teve um treco: o anúncio da própria Folha, editado na Folha que estava para rodar (e lembrando no especial de hoje), afirmava que Getúlio Vargas tinha se matado com um tiro na cabeça.

Para piorar, o slogan do jornal era "Folha de S.Paulo: há 75 anos tentando explicar esse país". Ia ser bem engraçado um erro dessa monta junto com esse slogan. Mas a Marcia evitou o estrago.

Abaixo, o vídeo da campanha, em que Getúlio se mata crucificado. Quer dizer, enforcado... Não, com um tiro do peito!

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