PROTESTOS

Cuidado com a Língua! Cinco erros de português em cartazes das manifestações anti-Dilma

Painel Acadêmico explica como você pode evitar falhas semelhantes; confira também bônus com cartazes escritos em outras línguas

Nas manifestações contra o governo Dilma Rousseff ocorridas neste domingo (16/8), os cartazes chamaram a atenção. Alternando bom humor, palavras duras e posições polêmicas, muitas vezes radicais, as frases em destaque criticavam, entre outras coisas, o Partido dos Trabalhadores, pediam o impeachment da presidente da República, a prisão do ex-presidente Lula e intervenções militares.

Atento aos protestos, Painel Acadêmico selecionou cinco cartazes com erros de Língua Portuguesa. Confira abaixo as frases com problemas:

Com quem?

Valéria Bretas/ Exame

O pronome oblíquo tônico contigo, flexão entre o pronome tu e a proposição com, deve ser utilizado apenas no singular. Como o cartaz pretende declarar apoio não apenas ao juiz Sergio Moro, mas também para sua equipe, o correto, no caso, seria a utilização da palavra convosco. P.S.: Não podemos garantir, mas o acento agudo em Sérgio parece estar invertido.

Não seria laranja?

BBC Brasil

A árvore de cartazes carregada por este manifestante quase passou sem erros. A palavra melancia, contudo, não tem acento. Além disso, LAN não é sílaba tônica. Melancia é uma paroxítona terminada em hiato, e sua sílaba tônica é CI. P.S.: A expressão mais utilizada neste sentido é “laranja podre”. A melancia foi uma inovação.

Quase lá.

Reprodução/ Facebook

A palavra impeachment é de origem inglesa e significa “impedimento” ou “impugnação”. No cartaz, os manifestantes trocaram a letra N por M.

E se fossem dois?

Portal G1

Apesar de parecidas, as formas “nem um” e “nenhum” são utilizadas em situações diferentes. Enquanto nenhum é um pronome indefinido, que se opõe a “algum”, na expressão “nem um”, o um cumpre a função de numeral e, portanto, pode ser substituídos por “dois” ou “três”. Aparentemente, neste caso, o manifestante pretendia dizer que, em Atibaia, não existe político “algum” capaz de calá-lo.

O mais famoso.

Juliana Bevilaqua/ Gaúcha Serra

Este cartaz não é de ontem e já ficou conhecido em todo Brasil. A citação ao hino nacional escorregou no verbo fugir, que na terceira pessoa do singular do tempo presente -foge - se escreve com com G e não com J. Além disso, o acento usado em "à luta" está incorreto, como se trata de uma crase, o certo seria utilizar o acento grave (à) e não o agudo.

Bônus

Veja os erros em cartazes de manifestantes que tentaram protestar em outras línguas.

Je ne suis rien

Reprodução/ Twitter

Com a intenção de defender uma intervenção militar no país, a manifestante tentou uma adaptação de Je suis Charlie em seu cartaz. A palavra interditin, no entanto, não existe em francês.

Debaixo?

A manifestante tentou uma tradução literal em inglês da expressão “abaixo o comunismo”. O resultado não foi muito bem sucedido. A tradução mais próxima de “under communism” seria “sob o comunismo”.

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