REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Autor de pesquisa sobre filosofia consultado pela Folha foi conselheiro econômico de Bolsonaro

Adolfo Sashcida, defensor do fim da obrigatoriedade do ensino de sociologia e filosofia no Ensino Médio, é economista da linha liberal e afirma que Hitler era de esquerda

Adolfo Sachsida, pesquisador e diretor adjunto  do IPEA (Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas) que coordenou a pesquisa, divulgada pela Folha de S. Paulo nesta semana, alegando  que sociologia e filosofia atrapalhariam o estudo da matemática no Ensino Médio, foi coordenador econômico da campanha à presidência da República do deputado Jair Bolsonaro até janeiro.

O pesquisador foi apresentado como conselheiro de economia de Bolsonaro depois da entrevista que o deputado deu a Mariana Godoy, no dia 31 de outubro de 2017, na qual o deputado afirmou que era "um exagero" que os telespectadores cobrassem seu conhecimento na área de economia.

Sashcida defende pautas liberais como o Estado Mínimo, o porte de armas, o cerceamento do direito ao aborto, entre algumas outras bandeiras da Direita. Em seu canal no Youtube, o professor chegou a afirmar que o “nazismo era um regime socialista” e que “Hitler era de esquerda”.


Sashcida afirma que "Hitler era de esquerda" em seu Canal no Youtube

Em entrevista em 2015, o pesquisador alegou que "a ideologia é o problema mais sério no Ipea". Naturalmente, ao fazer a pesquisa do IPEA, que ainda não está finalizada, ele tinha um objetivo muito claro: justificar a retirada da obrigatoriedade das disciplinas do novo currículo do Ensino Médio.

Sashcida, apesar de grande defensor do Estado Mínimo na economia, trabalha para o Estado Brasileiro há alguns anos: o pesquisador faz parte do corpo de profissionais contratados pelo Instituto desde 1997.

Como diretor adjunto do IPEA  e funcionário público concursado, seu salário mensal é R$ 31.701,58, sem os descontos, como mostra o Portal de Transparência do Instituto.

O economista, engajado em promover a Reforma do Ensino Médio, cursou sua graduação na UEL (Universidade Estadual de Londrina), entre 1990 e 1994. Seu mestrado e doutorado também foram feitos em uma universidade pública, a UnB (Universidade de Brasíla).   

Segundo levantamento feito pelo Painel Acadêmico, das pesquisas previstas para no plano de trabalho de 2018 do IPEA que tocam o assunto da educação, nenhuma está finalizada.

A segunda pesquisadora consultada pela Folha de S. Paulo para comentar o currículo base do novo Ensino Médio foi a economista Thais Waideman Niquito. Segundo a relação de pesquisas divulgadas pelo IPEA, Thais consta como pesquisadora convidada de um projeto de pesquisa sobre gastos públicos e transparência fiscal, "Estudos e pesquisas com vistas a melhoria da qualidade dos gastos públicos e da transparência fiscal", com prazo para julho de 2018.

 

Em nota, a Sociedade Brasileira de Sociologia criticou a pesquisa feita pelo Ipea, salientando a falta de informações como: “as condições das escolas, o número de aulas de cada componente curricular (disciplinas) desde o Ensino Fundamental, o número de aulas de matemática, de sociologia, de filosofia antes e depois da referida lei, a formação de professores de matemática, a quantidade de professores (suficiente/insuficiente/falta ou não de professores), as redes e as mantenedoras, privadas, públicas, municipais, federais e estaduais, os programas de ajuda a permanência dos estudantes nas escolas, o número de participantes do ENEM nesses períodos (se era o mesmo em 2009, 2012, 2014)”.

 

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