VISIBILIDADE TRANS

Em São Paulo, ONU começa formação em audiovisual para pessoas trans

O objetivo objetivo é promover o acesso dos participantes ao mercado de trabalho de cinema, TV e produção de vídeo

Vinte pessoas trans começaram nesta semana (28), em São Paulo, uma formação em audiovisual promovida pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Com a capacitação, a agência da ONU quer estimular o ativismo em redes sociais pelo fim do estigma e da discriminação de cunho transfóbico e a inserção do público trans no mercado do audiovisual.


Aulas do projeto do UNAIDS acontecem no Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, em São Paulo. Foto: UNAIDS

Vinte pessoas trans começaram nesta semana (28), em São Paulo, uma formação em audiovisual promovida pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Com a capacitação, a agência da ONU quer estimular o ativismo em redes sociais pelo fim do estigma e da discriminação de cunho transfóbico. Outro objetivo é promover o acesso dos participantes ao mercado de trabalho de cinema, TV e produção de vídeo.

“Seja na frente das câmeras ou por trás delas, é importante que a perspectiva e a visão de pessoas trans sobre o mundo e nossa sociedade estejam presentes”, disse aos participantes a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, durante a abertura do curso “Luz, Câmera, Zero Discriminação”.

“Que este seja um primeiro passo para a realização dos projetos e sonhos brilhantes que vocês têm em mente: seja para ter voz nas redes sociais, seja para engrandecer ainda mais a arte e o debate sobre zero discriminação no cinema, na TV e onde mais o audiovisual estiver presente”, acrescentou a dirigente.

Dados da agência da ONU apontam que travestis e pessoas trans têm até 49 vezes mais chances, em comparação com a média das pessoas com vida sexualmente ativa, de se infectar pelo HIV ao longo da vida. No Brasil, estatísticas mais recentes do Ministério da Saúde revelam uma prevalência de HIV em torno de 31% entre travestis e pessoas trans. Na população em geral, a prevalência é de 0,4%.

No curso oferecido pelo UNAIDS, uma equipe profissional, da produtora Brodagem Filmes, será responsável pela formação técnica dos 20 alunos. Com aulas semanais no Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, o grupo conhecerá noções básicas sobre roteirização, pré-produção, direção, fotografia, filmagem, edição e pós-produção. Os encontros também terão a participação de especialistas convidados.

“Ficamos muito felizes com esta oportunidade porque não apenas iremos contribuir para o empoderamento de pessoas trans no audiovisual, mas também ampliar nossa rede de contatos com pessoas que querem produzir conteúdo como a gente e que são, na maioria das vezes, negligenciadas ou excluídas desse mercado”, aponta um dos diretores da Brodagem, Lucas Kakuda.

“Precisamos abrir espaço para produtores, diretores e criadores trans nesse mercado para que eles finalmente saiam da posição de objeto de estudo para a de realizadores”, defendeu o produtor.

Como parte do projeto, um webdocumentário será produzido em paralelo pela Brodagem Filmes. A proposta é registrar os bastidores da formação e, ao mesmo tempo, promover uma atividade prática para os alunos, que trabalharão na captação de imagem, edição e finalização do material. Com isso, a produção não apenas trará as perspectivas das pessoas trans envolvidas, como também terá sido fruto dos seus esforços para dominar os novos conhecimentos adquiridos na formação.

Parcerias pelo fim da epidemia

A inciativa do UNAIDS é financiada pelo Fundo para AIDS da gigante dos cosméticos MAC e conta com a parceria do Departamento de Políticas para LGBTI, da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do município de São Paulo, uma das cidades signatárias da Declaração de Paris.

Esse documento prevê compromissos com a aceleração da resposta ao HIV e com o cumprimento das metas 90-90-90 para 2020 — um conjunto de objetivos dos países-membros da ONU para garantir que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estarão cientes de seu estado sorológico positivo, 90% dos indivíduos com o vírus estarão sob tratamento e 90% das pessoas em tratamento estarão com a carga viral indetectável.

O MAC AIDS Fund é pioneiro no financiamento de campanhas sobre HIV e AIDS, dando apoio a organizações que trabalham com as regiões e populações mais vulneráveis à epidemia.

“Na qualidade de maior doador corporativo não farmacêutico dessa área, o MAC AIDS Fund se dedica a enfrentar a ligação que existe entre pobreza e HIV por meio do apoio a diversas organizações no mundo inteiro, que oferecem amplo leque de serviços a pessoas vivendo com HIV ou vulneráveis ao vírus”, explica o Fundo em seu website.

O mecanismo financeiro já arrecadou mais de 340 milhões de dólares a partir da venda de alguns produtos da empresa.

*Publicado originalmente em ONU Br. 

 

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