OPINIÃO

A boa liderança como fator fundamental para o sucesso de qualquer organização

Papel do líder é permitir, incentivar a equipe a fazer diferente, modificar, aprimorar o conhecimento existente na organização

Os verdadeiros líderes estão preocupados em formar outros líderes que possam substituí-los. Até porque, isto gera uma pressão continua no próprio líder, não permitindo sua acomodação, pois para não ser suplantado deve manter-se sempre em desenvolvimento.

O exercício deste papel na sua plenitude é muito difícil, pois exige do líder muita segurança, elevada autoestima, alto grau de dedicação, compartilhamento de conhecimento e desapego à posição e vaidade.

Pobre aquele que possui conhecimento, mas não o divide. Em geral, observamos este comportamento em pessoas inseguras, egoístas. Porém, na atualidade, profissionais com esta filosofia cada vez mais acabam se afogando no próprio conhecimento, pois com a velocidade das novas descobertas, novos conceitos e também o fantástico acesso às diferentes e confiáveis fontes de dados e informação, não compartilhar conhecimento é isolar-se num mundo em profunda transformação.

No passado, deter conhecimento poderia representar segurança, fazer com que se pudesse garantir o emprego e construir uma rede de seguidores. Hoje, não mais.
“Verdades absolutas” são desconstruídas, hoje em dia, num piscar de olhos! Portanto, ser generoso com os outros poderá fazer com que os outros o sejam com você quando o seu “saber” não estiver mais atual.

O líder deve então preparar seus profissionais a também serem líderes, orientando-os na busca de dados e informações, ensinando-os a trabalhar este rico material, e também dar autonomia e criar um ambiente onde eles possam assumir riscos, tomar decisões, dando a oportunidade para cometerem erros, calculados, sem prejuízo para a carreira.

Lembremos que errar faz parte do desenvolvimento e o verdadeiro líder tem que saber lidar com isto.

Um dos papéis do líder é permitir, incentivar a equipe a fazer diferente, modificar, aprimorar o conhecimento existente na organização.

Ao abrir caminho para o desenvolvimento e crescimento de seus liderados o líder está abrindo caminho para si próprio, pois se o líder opta por manter sua equipe presa por um cabresto, de modo a controlar sua marcha, ele não conseguirá assumir novos desafios, novas responsabilidades, enfim crescer e se desenvolver também.

Tenha em mente que para que se possa crescer têm que se transferir responsabilidades, tarefas, atividades para outros, liberando espaço para que se possa assumir novas funções.

O bom líder deve compartilhar o ônus, os problemas, a responsabilidade. Em momentos de dificuldade deve-se, dentro do possível, passar tranquilidade ao grupo de liderados, todos devem sentir a presença e apoio do líder, afinal deve-se ter um sentimento de equipe: estamos todos juntos e juntos superaremos os desafios e as dificuldades, ao invés de imputar culpa e responsabilidades aos demais, procurando livrar-se delas, o famoso “lavar as mãos”!

Como num navio o capitão (líder) deve ser o último a abandona-lo. Fique tranquilo, se você de fato exercer uma boa liderança os seus marujos (liderados) não o abandonarão, muito pelo contrario, eles não deixarão o navio afundar!

Na mesma proporção este bom líder deve compartilhar o bônus, o mérito, o prêmio, a conquista. O reconhecimento das vitórias com fruto do trabalho de todos é uma atitude importante para se exercer a verdadeira liderança.

Não tenha medo de reconhecer publicamente a autoria daquela ideia maravilhosa, da solução fantástica que equacionou determinado problema, da ideia genial que transformou o departamento / organização. Todos vão saber que isto só foi possível porque ali tinha um grande líder.

Para ser respeitado pela equipe é essencial respeita-los. Nas situações mais difíceis, em hipótese alguma, se deve faltar com o respeito, como: levantar a voz; ser agressivo; ser desrespeitoso em qualquer grau. Nestas horas, ao invés de atirar pedras, buscar culpados, deve-se dar apoio e buscar soluções para o problema.

Solucionado o problema deve-se entender o que ocorreu para que o mesmo não volte a acontecer. Aprender com as falhas, erros, e promover o desenvolvimento e amadurecimento de todos.

O que se observa muitas vezes é que a pressão desmedida em nada contribui para o equacionamento do problema, muito pelo contrario, ela cria instabilidade na equipe, medo, quando não, pavor, estresse, dificultando ainda mais que se chegue a uma solução. Parece que o líder quer se isentar de responsabilidade perante os demais e transfere toda a responsabilidade para os liderados, esquecendo que estes liderados só estão ali porque ele os contratou ou os manteve na equipe, portanto, em última instância (sem trocadilhos com este portal) ele é responsável, sim.

Atitudes como esta, denotam uma preocupação maior em culpar pessoas do que resolver o problema. Se o líder quer mesmo resolver a situação, deve contribuir para isto, respeitando os liderados, motivando-os, apoiando-os e contribuindo para a solução e não o contrario.

O maior desejo e prazer de um líder deve ser ver seus discípulos superá-lo!

*Mario Leandro Campos Esequiel é gestor do escritório Mattos Filho. Economista, MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV e professor convidado do GVLaw da FGV. É membro fundador do Grupo de Excelência de Administração Legal do CRA SP (Conselho Regional de Administração de São Paulo) e do CEAE (Centro de Estudos de Administração de Escritórios de Advocacia), e coautor do livro Administração Legal para Advogados da série GVLaw.

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