ATUALIZAÇÃO

A forma de se prestar o Serviço Jurídico está mudando

Não estar atento às mudanças inerentes ao mundo contemporâneo poderá significar sua exclusão deste mercado

Com o amadurecimento das organizações de prestação de serviço jurídico, os escritórios de advocacia e o papel dos seus profissionais, sejam os sócios, advogados ou administrativos, vem mudando também. E tanto o escritório, quanto seus integrantes, devem ficar atentos.

Os escritórios, nas últimas duas décadas, de maneira mais acentuada, têm encontrado um mercado muito mais ávido por serviços jurídicos, seja pelo surgimento de novos mercados, pela profissionalização das estruturas, pela regulamentação deste novo mercado, pela necessidade de se preparar para uma maior competitividade e a proximidade com um mercado global, dentre outros motivos.

Tudo isto tem proporcionado o crescimento dos escritórios e o surgimento de outros, que para se tornarem mais produtivos e competitivos têm se organizado melhor, criando novos processos e procedimentos. Tudo isto altera o modus operandi dos advogados. Portanto, não basta mais só o saber jurídico, mas também a forma de executar, de apresentar, de entregar o serviço acordado. Isso pode significar ser contratado ou não.

Estas mudanças estão relacionadas à organização das estruturas, pois a forma de se executar um trabalho pode ser traduzida em redução de tempo, de custo e melhora da qualidade também. Processos bem definidos podem dar agilidade e segurança a quem executa e também para quem contrata.

Além destas mudanças internas, há também aquelas que ocorrem no cliente, que para ser mais produtivo e competitivo, busca ajustar seus processos e, muitas vezes, demanda um formato novo e ajustado à sua estrutura para receber o serviço jurídico. Pode ser o formato de um relatório, ao invés de papel em meio eletrônico, de uma apresentação etc.

Uma das mudanças mais recentes e impactantes neste mercado é o peticionamento eletrônico. Esta nova forma de peticionar traz a este mercado algo mais moderno, que busca agilidade, conforto e facilidade. É bem verdade que esta última “vantagem” para quem estava acostumado ao processo antigo pode, em princípio, ser percebida como uma dificuldade e significar uma “desvantagem”. Mas não! Esta eventual percepção equivocada é fruto apenas da obrigatoriedade de tirar o advogado da zona de conforto, porque de fato, representará sim uma facilidade.

Alguns escritórios que atuam com contencioso de massa têm criado dinâmicas e procedimentos para conduzir e acompanhar seus processos de maneira mais rápida, segura e com menor custo, lembrando inclusive uma linha de produção industrial. Metodologia esta, ainda criticada por muitos, mas que para quem as tem, quando bem gerida, é muito eficaz.

Em alguns casos, profissionais de outras áreas, como engenheiros, especializados em produção, são contratados para ajudarem na revisão e construção de processos mais eficientes.

Tudo isto tem obrigado advogados e escritórios a reverem processos internos, repensarem a forma de prestar o serviço jurídico.

Percebam que a essência do serviço jurídico não muda: a advocacia, o Direito em questão, é o mesmo! Mas a forma de prestar o serviço, de conduzi-lo e de entrega-lo, muda. Por isto, saibam que não estar atentos às mudanças inerentes ao mundo contemporâneo poderá significar a sua exclusão deste mercado, cada vez mais competitivo e exigente.

*Mario Leandro Campos Esequiel é gestor do escritório Mattos Filho. Economista, MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV e professor convidado do GVLaw da FGV. É membro fundador do Grupo de Excelência de Administração Legal do CRA SP (Conselho Regional de Administração de São Paulo) e do CEAE (Centro de Estudos de Administração de Escritórios de Advocacia), e coautor do livro Administração Legal para Advogados da série GVLaw.

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