MEMÓRIA

A história por trás da logomarca da Alameda

"A aventura intelectual que deve estar presente em todos os livros dignos de serem editados"

Depois de 13 anos da fundação, consegui convencer algumas pessoas de que o logo e a logomarca da editora não foram criações de designers (ainda que maus designers): são invenção da Joana e minha.

Quando decidimos, com o Rodrigo Ricupero, que o nome da editora seria Alameda, passamos a discutir como seria o logo. A primeira ideia foi a óbvia: árvores. Alameda é, estritamente, um caminho de álamos.

Aos poucos fomos deixando esse ideia, e rapidamente a Joana sugeriu uma das imagens de uma mulher andando de bicicleta publicadas no "Catálogo de Clichês", reeditado pela Ateliê a partir de um impresso (provavelmente) do início do século XX.

Eu gostei da imagem, mas tinha algo nela que me incomodava: a mulher parecia muito tranquila, pois estava numa posição de 90º em relação ao chão. Ou seja, não representava a ideia de uma aventura intelectual que, a meu ver, deve estar presente em todos os livros dignos de serem editados.

Passei algumas madrugadas usando internet discada baixando fontes que combinavam com a imagem, para fazer a logomarca, até encontrar uma fonte canadense que amei, a Echelon. Ela tinha um A maiúsculo ridículo, o que facilitou nossa decisão de escrever “alameda” assim, com tudo em caixa baixa. Ela também não tinha um bom itálico e, portanto não resolvia a questão da pasmaceira da imagem original.



Foto: Fachada da Editora Alameda/ Joana Montaleone

Então, testei uma inclinação de 10º: parecia que a mulher ia cair - aventura tem limite, ninguém quer se arrebentar numa leitura. Diminuí para 5º e achei que ela parecia dar um impulso. Vale registrar que essa experiência da inclinação da bicicleta vem do uso que faço dela como veículo de transporte desde os 9 anos, quando passava o dia indo pra lá e pra cá em Martinópolis, e também da disciplina mais energizante que fiz na USP: educação física.

Sim, eu fiz educação física na USP e o esporte em que me matriculei foi ciclismo. Passei portanto horas dando voltas no velódromo e sentindo a força física e visual de andar na tangente das curvas.

Resumindo, a gente acertou a fonte, a inclinação, a distância entre as letras na palava: tudo certo, passei a ideia para o Rafael Franzini, irmão do Renato, que finalizou o logo e a logomarca, fez a vetorização deles e desenvolveu nosso primeiro site.

Agora, a Joana teve essa ideia incrível de adesivar esse espaço em frente à Alameda.

A gente defende a ideia de que logos devem durar, mesmo que tenham defeitos, porque contam uma história e toda troca significa uma perda na cabeça de quem identifica os sentidos de uma marca.

Dito isso, talvez seja porque a gente que fez, mas achamos a nossa logomarca irretocável.

 Haroldo Ceravolo é jornalista e editor da Alameda Casa Editoria

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