LANÇAMENTO

‘Golpes na História e na Escola’: historiadores lançam livro com reflexões sobre 2016

Lançada na Anpuh, obra é uma 'interpretação recente da história política brasileira sob uma mirada instigante produzida por uma jovem geração de historiadores'

"Como compreender a realização de dois processos de impeachment de presidentes do Brasil em um período menor que 30 anos? Como lidar com a incômoda coincidência de atores e instituições que protagonizaram não só o golpe de 2016, mas estiveram igualmente presentes na deposição de João Goulart em 1964 ou mesmo na desestabilização final do governo de Vargas em 1954? O que isso indica sobre a história da democracia no Brasil?"
 
Com essas questões em mente – e muitas outras - os historiadores André Roberto Machado e Maria Rita de Almeida Toledo organizaram "Golpes na História e na Escola: o Brasil e a América Latina nos séculos XX e XXI", lançado nesta semana durante o 29° Encontro Nacional de História – ANPUH 2017 – na Universidade de Brasília.


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Reunindo artigos de 13 historiadores nacionais e do exterior, o livro é uma "interpretação recente da história política brasileira sob uma mirada instigante produzida por uma jovem geração de historiadores", conforme explica Circe Fernandes Bittencourt, presidente da ANPUH/SP, na apresentação da obra.
 
Com foco nos séculos XX e XXI, "Golpes na História e na Escola" é dividido em duas partes. Na primeira, com importantes reflexões sobre 2016, são analisadas as rupturas da democracia e as resistências a esse processo, com importantes reflexões sobre 2016.

Questões como a atuação de juízes e o papel dos empresários, da classe política e da sociedade como um todo nos golpes são contempladas pelos historiadores, bem como um comparativo entre a nossa transição democrática e a da Argentina, a construção da cidadania pelos direitos humanos e a luta dos quilombolas.
 
Escola Sem Partido

Já na segunda parte da obra, a discussão gira em torno dos episódios de 2016 e do surgimento de movimentos como o "Escola Sem Partido", a abrupta Reforma do Ensino Médio e as disputas em torno da Base Nacional Comum Curricular.
 
De fundamental importância para o debate sobre o ensino médio, a escola pública, a função docente e a discussão em relação ao gênero no universo escolar, esta parte da obra traz também artigos sobre o Escola Sem Partido e os ataques do movimento contra o debate de gênero, a educação democrática e o sentido público da educação.
 
Contribuem com artigos na primeira parte os historiadores Jamen N. Green, Marcos Napolitano, David Ribeiro, Marco Aurélio Vannucchi, Joana Monteleone, Haroldo Ceravolo Sereza, Janaína de Almeida Teles, Claudia Moraes de Souza, Flávio Gomes e Petrônio Domingues.
 
E na segunda: Maria Rita de Almeida Toledo, Fernando Seffner, Nancy Prada Prada, Stella Maris Scatena Franco, Fernando de Araújo Penna, Antonio Simplicio de Almeida Neto e Diana Mendes Machado da Silva.
 
Apoio da ANPUH

Como aponta Circe Fernandes, "o conjunto dos temas abordados fez que novamente a ANPHU/SP retomasse seu apoio à uma publicação coletiva de autores comprometidos com a democracia. Este livro representa a continuidade do compromisso da nossa Associação na defesa intransigente do trabalho dos historiadores em seus diferentes lugares de pesquisa e de ensino".

Um apoio, destaca, que corresponde à luta da entidade na "contra qualquer política que se coloque a favor da censura, do cerceamento do pensamento gerador da punição de professores de História, seja da academia às escolas públicas das periferias urbanas, do campo, das escolas indígenas, quilombolas".
 
Aos historiadores que participam da ANPUH, o lançamento acontece nesta terça-feira, das 18h às 19h, na Entrada Norte do Instituto Central de Ciências (ICC-Norte - Ceubinho) da Universidade de Brasília.
 
A todos os interessados, o livro estará disponível nas livrarias a partir da semana que vem.

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