Eu passei

"Almejava uma carreira que me permitisse estudar os diversos ramos do direito", diz juiz

Por Ayrina Pelegrino

 

Nome: Marcelo Barbosa Sacramone

 

Cargo: Juiz de Direito do Estado de São Paulo.

 

Por que escolheu a carreira? Escolhi a magistratura durante a faculdade. Era fascinado pela discussão, pelo argumento, pela construção de uma tese e almejava uma carreira que me permitisse estudar os diversos ramos do direito, sem necessariamente ficar restrito a algum.

Ainda que a carreira acadêmica fosse uma opção lógica e que sempre tenha me entusiasmado, acreditava que o estudo teórico não podia subsistir por si só e deveria ser aproximado da prática para se tornar mais útil.

Esse desejo se aliava à necessidade crescente de contribuir de alguma forma para a melhoria do ambiente em que vivia. Vindo do interior, o caminho diário entre o largo de São Francisco e a Praça da Sé evidenciava ainda mais o contraste entre a infinita opção cultural propiciada pela capital e uma população carente totalmente marginalizada.

O modo que imaginava poder contribuir era com a oitiva atenta das partes, com a compreensão dos problemas concretos que as afligiam para tentar obter uma solução justa. A magistratura foi a carreira que me propiciou exatamente isso.

 

Que ano passou no concurso? 2008.

 

Como organizava seu tempo e estudo? A concorrência para o exame da magistratura já era enorme naquela época e exigia grande preparação. Como sabia que o estudo deveria ser feito durante alguns anos, escolhi um curso preparatório que me permitisse tomar contato com os principais pontos do edital e orientar o meu estudo. Nesse primeiro momento, estudava a matéria dada em sala no dia e utilizava o final de semana para revisar a matéria da semana.

Com o término do curso, passei a estudar sozinho na biblioteca do cursinho. O estudo na biblioteca era o modo de manter o contato com outras pessoas que passavam pela mesma situação, o que diminuía a enorme cobrança própria sentida por todos os concursandos. Criava também um ambiente de pressão, de concorrência, que exigia que a dedicação e a superação fossem diárias e constantes.

Nesse segundo momento, estudava as matérias conforme o edital do concurso que pretendia e concentrava minha atenção nas matérias em que era mais deficiente. Para isso, submetia-me a diversas provas de concursos, ainda que não tivesse preenchidos todos os requisitos do edital, como três anos de atividade jurídica.

 

O que mais gosta na instituição? O que mais valorizo na magistratura é a autonomia. A possibilidade de decidir conforme o direito e a convicção pessoal de que se está fazendo justiça no caso concreto, independentemente de quaisquer outros interesses.

 

O que gostaria de mudar na instituição? A imagem. O poder judiciário, como um todo, vem sofrendo muito. Decerto há problemas e alguns abusos, como em toda carreira, e que devem ser coibidos. A grande maioria dos juízes e funcionários, entretanto, é de profissionais que renunciam à vida pessoal para se dedicarem integralmente a uma crescente e infindável quantidade de processos. A valorização desses profissionais é imprescindível para a melhoria de todo o sistema.

 

Qual seu objetivo profissional? Meu objetivo profissional é exercer a melhor prestação jurisdicional possível no primeiro grau para, no futuro, integrar o segundo grau do Tribunal de Justiça.

 

Onde se formou e em que ano? Formei-me na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em 2004.