DICAS DE PORTUGUÊS

Entenda como e quando usar a conjunção comparativa “do que” ou “que”

Você sabe identificar quando é correto usar a conjunção comparativa "do que" e "que"? Ao responder a pergunta do Jorge, o professor João Bolognesi, do Complexo Educacional Damásio de Jesus explica que o tema é recorrente em provas de concursos públicos. Veja abaixo a pergunta e a resposta.

Você também pode treinar o uso das expressões com os exercícios e checar se acertou com o gabarito.

Prof. João, surgiu uma dúvida que não se relaciona com crase: quando usar “que” e “do que”?

Por exemplo:
“não consumir nem descartar mais produtos DO QUE a Terra é capaz de suportar.” ou “não consumir nem descartar mais produtos QUE a Terra é capaz de suportar.”

Ambas são corretas e possuem o mesmo sentido?

Jorge

Jorge, a sua dúvida está centrada no uso da conjunção comparartiva “do que” ou apenas “que”, ambas as formas corretas. Tais formações aparecem nas comparações de superioridade ou de inferioridade e, por isso, normalmente vêm antecedidas das palavras “mais” ou “menos”:

Ele é mais rápido do que nós = Ele é mais rápido que nós.

Elas são menos dependentes do que eles = Elas são menos dependentes que eles.

Confira algumas questões:

1. (ESAF) “Uma conversa privada, a dois, é algo mais público do que um evento com centenas de pessoas.”

Preservam-se a coerência textual e a correção gramatical ao retirar “do” de antes de “que”.

2. (ESAF) Mais do que outros, o setor bancário aprendeu a atravessar os ciclos econômicos de euforia e depressão.

Eliminando-se o “do” em “Mais do que”, o período passa a desrespeitar as exigências da norma culta.

3. (ESAF) “Nenhuma instituição é mais relevante, para o movimento regular do mecanismo administrativo e político de um povo, do que a lei orçamentária.”

Se o “do” for eliminado, o texto permanece correto.

4. (CESPE) “Por outro lado, sua eficiência macroeconômica deixa muito a desejar, menos pela incapacidade das instituições do que pela persistência de incentivos adversos ao crescimento.”

Em “do que pela”, a eliminação de “do” prejudica a correção sintática do período.

5. (ESAF) “Ninguém melhor do que Voltaire definiu a real essência da democracia.”

A eliminação do termo “do“ depois de “melhor” mantém a correção gramatical do período.

6. (CESPE) “…mais preocupados com o sucesso pessoal que com as causas sociais”

Preservam-se as relações de coesão do texto, o valor comparativo entre as idéias e a correção gramatical do texto ao se inserir “do” imediatamente antes de “que”.

7. (ESAF) O Estado Contemporâneo enfrenta desafios maiores do que os do Estado Moderno.

Em “maiores do que”, a eliminação de “do” mantém a correção gramatical do período.

Gabarito

1- correto
2- errado
3- correto
4- errado
5- correto
6- correto
7- correto

*Conteúdo originalmente publicado em Última Instância

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