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Akhenaton Nobre: 'Acredito que a investigação é a parte fundamental para o processo criminal'

Delegado da Polícia Civil de São Paulo relata sua experiência durante preparação para concurso público

Nome: Akhenaton Nobre

Cargo concursado que ocupa:  Delegado de Polícia do estado de São Paulo.

Por que escolheu a carreira? Escolhi a carreira de Delegado de Polícia pois é esse quem preside de forma exclusiva a investigação policial, que é materializada no inquérito policial, sendo que a investigação é o momento em que são colhidos elementos de prova que podem levar uma pessoa que infringiu a lei em sua ótica criminal a responder pelos seus atos perante o Poder Judiciário. Acredito que a investigação é a parte fundamental para o processo criminal, é só vermos que a maioria esmagadora das ações criminais propostas pelo digno órgão do Ministério Público são embasadas em inquéritos policiais. Escolhi a profissão de Delegado de Polícia também porque o Delegado é a primeira pessoa que analisa a criminalidade de forma real e flagrancial, como também é o primeiro garantidor dos diretos humanos da população, pois é na Delegacia de Polícia, saliente-se, aberta 24 horas por dia, que se pode dar pronto apoio e resposta à população. Vale citar que tenho muito respeito à carreira policial, pois sou a terceira geração de policiais civis da minha família, meu tio-avô foi investigador de polícia e meu pai é Delegado de Polícia aposentado.

Que ano passou no concurso? Eu passei no concurso de Delegado de Polícia entre o ano de 2011 e 2012, levando em consideração todas as suas fases. Meu concurso foi o DP 1/2011.

Como organizava seu tempo de estudo? Bom, eu já utilizei todos os métodos de estudo, desde a leitura de resumos até ouvir áudio books. Em suma sempre tive medo de não passar no concurso de Delegado, porque não abre todos os anos, o último tinha sido em 2008, logo procurava estudar o máximo de horas possíveis, na maioria lendo doutrinas. Fiz também dois anos e meio de cursos preparatórios focado no concurso, já no começo do quarto ano de direito comecei a fazer, ajuda muito na preparação. O mínimo de horas que estudei eram 4 horas diárias, sendo que cada dia da semana estudava no máximo duas matérias. Lembro que na preparação para a segunda fase do concurso, a prova escrita, contando com o curso preparatório, chegava a estudar 16 horas por dia.

O que mais gosta na instituição? O que mais gosto na instituição Policia Civil é trabalhar ao lado de pessoas vocacionadas e bem preparadas para o combate da criminalidade de massa e ao crime organizado, aqui há pessoas beirando os 70 anos de idade que estão sempre dispostas a qualquer ação ou operação policial visando o combate ao crime e o auxílio à população.

O que gostaria de mudar na instituição? Olha, se fosse possível, não digo mudanças na estrutura da instituição, mas gostaria muito que houvesse uma maior valorização do policial civil e da Polícia Civil, tanto em sua forma salarial quanto a maiores investimentos em material e pessoal, onde há um grande déficit. Uma Polícia Civil bem remunerada e estruturada garante um maior índice de esclarecimentos e segurança para a população paulista.

Qual seu objetivo profissional? Na Polícia Civil meu objetivo profissional é trabalhar com crimes de homicídio e que envolvam a criminalidade organizada, que é onde me especializo como também galgar postos mais altos da carreira no que tange a administração policial, onde creio que posso acrescentar um pouco de forma efetiva a instituição policial civil. Tenho por objetivo também a área acadêmica, como docente em faculdades de direito na área das ciências criminais, como também a confecção de doutrinas nessa área, onde já possuo algumas em andamento que em breve publicarei.

Onde se formou, em que ano? Formei-me no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas, UniFMU, no fim do ano de 2011, tendo colado grau no dia 19 de janeiro de 2012.

Lembra qual a sua colocação no concurso? Na prova oral fui o 4º colocado; no concurso minha classificação final foi em 68º.

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